Apólice por uso avança no Brasil com apoio de dados e amplia oferta de seguros sob demanda
Por Redação
O modelo de apólice por uso, conhecido como pay per use, têm ganhado espaço no mercado de seguros no Brasil à medida que seguradoras adotam tecnologias de monitoramento e dados para ajustar preços ao comportamento do cliente. A modalidade permite que o consumidor pague pelo seguro conforme a utilização do bem, especialmente veículos, e tem sido adotada por empresas do setor nos últimos anos como alternativa ao modelo tradicional anual.
Na prática, o funcionamento combina uma taxa fixa com um valor variável calculado a partir do uso efetivo, como a quilometragem rodada ou o tempo em que a cobertura permanece ativa. Em alguns casos, o próprio segurado pode ativar ou desativar a proteção por meio de aplicativos, o que altera o custo final da apólice.
O avanço dessa modalidade está associado à evolução de tecnologias como telemetria e sistemas de geolocalização, que permitem às seguradoras acompanhar padrões de direção e comportamento de risco. Segundo informações do Ministério da Fazenda, o seguro baseado em uso existe há décadas, mas ganhou escala recente com a digitalização e a maior capacidade de coleta e análise de dados.
Especialistas apontam que o principal impacto está na personalização do preço e na forma de avaliação de risco. “A possibilidade de customizar o produto e usar dados de uso efetivo altera a precificação”, afirmou André Gregori, executivo do setor de seguros, ao descrever a mudança em relação aos modelos tradicionais.
Dados de mercado indicam que o modelo tende a crescer nos próximos anos, impulsionado por consumidores que utilizam menos seus veículos ou buscam reduzir custos fixos. A lógica do pagamento proporcional também se alinha a tendências observadas em outros serviços, como assinaturas digitais e mobilidade sob demanda.
Seguros sob demanda e transformação digital
O crescimento da apólice por uso ocorre em paralelo à digitalização do setor de seguros, com maior presença de insurtechs e produtos contratados de forma online. Nesse contexto, a coleta de dados permite não apenas ajustar preços, mas também incentivar comportamentos considerados menos arriscados, como direção com menor velocidade ou menor uso do celular ao volante.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) tem acompanhado a evolução desses modelos dentro do processo de inovação regulatória. O órgão já indicou que novas tecnologias ampliam a capacidade de desenvolver produtos mais alinhados ao perfil do consumidor e às dinâmicas de uso.
Para o segurado, a principal vantagem está na flexibilidade. O modelo permite contratar cobertura apenas quando necessário, o que pode reduzir custos em casos de uso esporádico. Por outro lado, especialistas apontam que o formato pode não ser vantajoso para quem utiliza o bem com frequência, já que o valor variável tende a aumentar com o uso.
A expansão desse tipo de apólice também levanta discussões sobre privacidade e uso de dados, uma vez que o cálculo do risco depende do monitoramento contínuo do comportamento do cliente. Ainda assim, o movimento indica uma mudança estrutural no setor, com produtos mais flexíveis e baseados em informação em tempo real.
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