União Europeia suspende importações de produtos animais do Brasil e afeta fluxo do agronegócio

União Europeia suspende importações de produtos animais do Brasil e afeta fluxo do agronegócio

Por Redação

A União Europeia passou a suspender, na última quinta-feira (03), a entrada de uma série de produtos brasileiros de origem animal, após o Brasil ficar fora da lista de países considerados aptos a atender às novas exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção. A medida alcança cadeias como carne bovina, aves, ovos, mel e determinados produtos da pesca e ocorre enquanto autoridades brasileiras tentam comprovar que os sistemas de controle e rastreabilidade adotados no país atendem às regras europeias.

As novas exigências estão relacionadas ao artigo 118 do Regulamento (UE) 2019/6, que estende aos produtos importados regras europeias sobre antimicrobianos. Entre as determinações está a proibição do uso dessas substâncias para promover crescimento ou aumentar o rendimento dos animais, além da restrição a antimicrobianos reservados, na União Europeia, ao tratamento de determinadas infecções em seres humanos. As regras já eram aplicadas aos produtores europeus desde 2022 e passaram a valer para fornecedores externos em 3 de setembro de 2026.

Na prática, apenas países que apresentem garantias consideradas suficientes pela Comissão Europeia podem continuar enviando os produtos abrangidos pelas normas. A lista é definida por produto e pode ser revista, o que abre espaço para uma retomada gradual das vendas brasileiras caso as autoridades europeias reconheçam o cumprimento das exigências.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que apresentou à Comissão Europeia documentação detalhando os mecanismos brasileiros de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação das cadeias de carne bovina, aves, ovos, mel e produtos da pesca. Segundo a pasta, o Brasil não pediu flexibilização das regras e defende que seus controles atendem aos requisitos estabelecidos pelos mercados importadores.

União Europeia tem peso no comércio do agronegócio brasileiro

A restrição ocorre em uma relação comercial que movimenta bilhões de dólares. Dados do Mapa, elaborados a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), mostram que as exportações totais brasileiras para a União Europeia chegaram a cerca de US$ 49,8 bilhões em 2025. Somente os embarques do agronegócio alcançaram US$ 21,8 bilhões, avanço de 12% sobre os US$ 19,5 bilhões registrados em 2024.

A carne bovina ganhou participação nessa pauta em 2025. Já no segmento de frango, o Brasil foi o principal fornecedor externo do mercado europeu no ano passado, com vendas de aproximadamente US$ 763 milhões. As exportações brasileiras de carne bovina para o bloco superaram US$ 825 milhões e 92 mil toneladas no mesmo período.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que a presença brasileira no mercado europeu demonstra a capacidade do país de atender aos padrões exigidos. “Se nós estamos no mercado europeu e somos os maiores fornecedores de produtos agropecuários é porque cumprimos e temos qualidade”, declarou o diplomata durante as negociações sobre o tema.

A Comissão Europeia, por sua vez, sustenta que a medida decorre da aplicação das novas regras. “Temos regras que proíbem os antimicrobianos ou a utilização de antimicrobianos para promover o crescimento”, explicou Eva Hrncirova, porta-voz da Comissão Europeia.

Uma auditoria europeia está em andamento no Brasil e analisa inicialmente cadeias como as de aves e mel. A expectativa do governo brasileiro é que os resultados permitam a reinclusão de produtos na lista de fornecedores autorizados. No caso dos bovinos, o processo tende a ser mais longo porque a comprovação exigida pela UE considera o ciclo de vida do animal, enquanto cadeias com ciclos produtivos menores podem ter uma avaliação mais rápida.

Foto: Pexels 

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