Turismo em 2026: viajante prioriza propósito, tecnologia e experiências mais longas
Por Redação do Diário do Acionista
O turismo global entra em 2026 com mudanças no comportamento do consumidor, marcadas pela busca por experiências com significado, uso intensivo de tecnologia e maior atenção a critérios ambientais. Dados da 7ª edição da Revista Tendências do Turismo, elaborada pela Embratur, indicam que o perfil do viajante se torna mais informado e orientado por propósito, alterando a forma como destinos e serviços são escolhidos.
A principal transformação observada é a consolidação de um viajante que equilibra custo, tempo e valor da experiência. Segundo o levantamento, cresce o interesse por vivências autênticas, com contato direto com comunidades locais e menor dependência de roteiros tradicionais. Esse movimento acompanha a valorização do chamado turismo consciente, conceito que envolve responsabilidade ambiental e impacto positivo nas economias locais.
Ao mesmo tempo, a tecnologia passa a ter papel central na jornada do consumidor. Ferramentas digitais e inteligência artificial ampliam a capacidade de planejamento e personalização das viagens. “A inteligência artificial deixa de ser tendência e passa a ser infraestrutura”, afirma Sylvio Ferraz, vice-presidente de Produtos e Novos Negócios da BeFly, ao destacar o uso dessas ferramentas como extensão do atendimento no setor.
Outro dado relevante mostra que as redes sociais seguem influentes na escolha de destinos, respondendo por 49% das decisões dos viajantes no Brasil, seguidas por indicações pessoais, com 45%, e sites especializados, com 23%. A diferença está na forma de consumo desse conteúdo: relatos espontâneos e experiências reais ganham mais credibilidade do que produções editadas.
A busca por natureza e desaceleração também se intensifica. O turismo em áreas preservadas, com atividades ao ar livre, aparece entre as principais tendências, impulsionado pela necessidade de descanso e reconexão. Esse movimento dialoga com a ampliação das chamadas viagens mais longas e imersivas, nas quais o deslocamento deixa de ser apenas um meio e passa a integrar a experiência.
No campo econômico, o setor mantém relevância crescente. No Brasil, o turismo doméstico atingiu mais de 100 milhões de viajantes e segue em expansão, com crescimento de 8,2%, segundo dados do setor. A preferência por destinos nacionais também se relaciona à busca por custos mais acessíveis e menor exposição a variações cambiais.
Outro movimento identificado é a descentralização dos destinos. Regiões menos exploradas passam a atrair mais visitantes, impulsionadas pela procura por exclusividade e menor concentração de turistas. Essa tendência contribui para a distribuição de renda e desenvolvimento regional, além de reduzir a pressão sobre destinos tradicionais.
As viagens em grupo familiar e multigeracional também ganham espaço, reforçando o turismo como experiência coletiva. O setor observa ainda a consolidação de viagens motivadas por propósito, em que o motivo da viagem se torna tão relevante quanto o destino.
Para o Ministério do Turismo, o cenário exige adaptação do mercado. “A publicação oferece inteligência estratégica para orientar decisões”, afirmou o ministro do Turismo, ao comentar a nova edição do estudo sobre tendências do setor.
Com essas mudanças, o turismo em 2026 se afasta de padrões anteriores baseados em volume e passa a refletir escolhas mais planejadas, conectadas ao estilo de vida do consumidor e às transformações econômicas e sociais em curso. Essas mudanças estão diretamente ligadas à presença da tecnologia nas escolhas, além da experiência, que também é um ponto primordial para as tomadas de decisão.
Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil
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