Seguro de crédito à exportação ganha espaço entre pequenas empresas e amplia acesso ao mercado externo
Por Redação
O seguro de crédito à exportação tem ganhado espaço nas estratégias do governo federal para ampliar a participação de micro, pequenas e médias empresas brasileiras no comércio internacional. Em meio à busca por novos mercados e pela diversificação das exportações, o instrumento passou a ser apontado por órgãos públicos e instituições financeiras como uma ferramenta para reduzir riscos em operações internacionais e facilitar o acesso a financiamento para empresas de menor porte.
Neste ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) avançou em medidas para ampliar o acesso das micro, pequenas e médias empresas ao Seguro de Crédito à Exportação (SCE), mecanismo que protege operações contra riscos comerciais e políticos relacionados à venda de produtos e serviços ao exterior. A iniciativa ocorre em um cenário em que o governo busca aumentar a presença de pequenos negócios na pauta exportadora brasileira e estimular a inserção dessas empresas em mercados internacionais.
O seguro funciona como uma garantia para instituições financeiras que concedem crédito vinculado à exportação. Caso haja inadimplência por parte do importador estrangeiro ou ocorrência de eventos cobertos pela apólice, a operação pode ser indenizada dentro das condições previstas. A modalidade é administrada pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) em parceria com a Câmara de Comércio Exterior (Camex). Entre as características do programa voltado às micro, pequenas e médias empresas estão a ausência de exigência de contragarantias, a inexistência de valor mínimo de exportação e a possibilidade de cobertura em operações de pré e pós-embarque.
Dados da própria ABGF mostram uma expansão na utilização do mecanismo. Em 2024, foram analisadas 20 operações destinadas a micro, pequenas e médias empresas, das quais 15 foram aprovadas, totalizando US$ 9,85 milhões. Já em 2025, ainda no primeiro semestre, o volume de operações avaliadas superou os números registrados no ano anterior. A agência também informou que o total de operações de seguro de crédito à exportação analisadas pela instituição cresceu cinco vezes em comparação com 2023.
Crédito, proteção e competitividade nas exportações
A ampliação do acesso ao seguro ocorre em um contexto de desafios para pequenas empresas que buscam financiamento para expandir suas vendas externas. Segundo informações divulgadas pelo MDIC, o objetivo das mudanças em discussão é ampliar o número de companhias elegíveis ao programa e fortalecer a capacidade exportadora desse segmento.
Na avaliação do secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, integrante da estrutura do MDIC, o fortalecimento dos mecanismos de garantia é uma das formas de reduzir barreiras enfrentadas por empresas de menor porte na internacionalização de seus negócios. Em comunicado oficial divulgado pelo ministério, a pasta afirma que a ampliação do seguro busca fortalecer a competitividade das micro, pequenas e médias empresas no mercado global.
Especialistas ligados a instituições públicas também destacam que mecanismos de mitigação de risco costumam ser considerados essenciais para ampliar a oferta de crédito voltado ao comércio exterior. A ABGF afirma, em material institucional, que o seguro representa uma garantia adicional para empresas que encontram dificuldades para obter outras modalidades de garantias junto ao sistema financeiro.
O avanço das operações ocorre em um momento em que o governo federal busca ampliar a participação das pequenas empresas nas exportações brasileiras. Embora representem a maioria dos empreendimentos do país, essas companhias ainda enfrentam obstáculos relacionados ao acesso a financiamento, à gestão de riscos e à entrada em mercados internacionais. Nesse cenário, instrumentos como o seguro de crédito à exportação passaram a ocupar papel mais relevante nas políticas de apoio ao comércio exterior, especialmente para empresas que pretendem expandir receitas além do mercado doméstico.
Foto: Tânia Rêgo – Agência Brasil
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