Setor energético apresenta agenda ao próximo governo e cobra decisões para garantir investimentos
Por Redação
O setor elétrico brasileiro apresentou uma agenda de propostas para os primeiros 100 dias do próximo presidente da República, defendendo medidas para reduzir incertezas regulatórias, ampliar investimentos e garantir a segurança do sistema de energia. O documento, elaborado por entidades que representam empresas do segmento, reúne temas considerados prioritários para um setor que responde por parte da infraestrutura da economia e passa por mudanças na matriz de geração e no mercado de eletricidade.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão da oferta de energia e de crescimento da participação das fontes renováveis. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que a geração de eletricidade no Brasil alcançou 775,9 terawatts-hora (TWh) em 2025, aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. As fontes renováveis responderam por 86,6% da oferta interna de energia elétrica, mantendo o país entre os sistemas com maior participação dessas fontes na matriz.
O avanço da energia solar e da eólica alterou a composição da geração nos últimos anos. Em 2025, a produção solar fotovoltaica chegou a 88,1 TWh, crescimento de 24,7%, enquanto a geração eólica somou 116,5 TWh, segundo a EPE. O aumento dessas fontes ampliou a necessidade de investimentos em transmissão e em mecanismos que garantam o equilíbrio do sistema diante das variações de geração.
Nesse contexto, as entidades do setor defendem que o próximo governo trate a política energética como uma agenda de Estado, com regras estáveis para investimentos e decisões sobre encargos, subsídios e expansão da rede elétrica.
Energia no Brasil entra na pauta dos primeiros 100 dias
A abertura do mercado livre de energia é outro ponto que deve ganhar espaço nas discussões. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME), com base na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), indicam que o ambiente de contratação livre recebeu mais de 21 mil novos consumidores em 2025 e passou a responder por cerca de 43% do consumo nacional de eletricidade.
Para o secretário Nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho, a modernização do setor precisa ampliar a possibilidade de escolha dos consumidores sem comprometer a segurança do abastecimento. Em declarações durante debates sobre a reforma do setor, o secretário afirmou que a revisão das regras deve buscar eficiência econômica e preservar a modicidade tarifária.
A preocupação com a segurança energética também aparece entre as prioridades. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou medidas para reforçar a capacidade do sistema diante de riscos climáticos e de incertezas internacionais, incluindo a antecipação de contratos de geração que acrescentam potência ao sistema.
O debate ocorre enquanto o país mantém produção de petróleo e gás em crescimento. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo atingiu cerca de 3,8 milhões de barris por dia em 2025, enquanto a produção de gás natural avançou no mesmo período. Esses segmentos continuam associados à arrecadação de royalties, exportações e investimentos.
O presidente da EPE, Thiago Prado, tem defendido que a transição energética exige planejamento de longo prazo e coordenação entre governo, empresas e consumidores. Para ele, as decisões sobre novas tecnologias e fontes de energia precisam considerar custos, infraestrutura e segurança do sistema.
Com a apresentação da agenda ao próximo governo, o setor energético busca colocar essas questões entre as primeiras decisões da nova administração. A expectativa das entidades é que medidas adotadas no início do mandato contribuam para reduzir incertezas, destravar investimentos e dar previsibilidade a um setor que influencia a atividade industrial, o consumo das famílias e a competitividade da economia brasileira.
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