Seguro para motos elétricas e autopropelidos avança no Brasil com regulação e expansão da micromobilidade

Seguro para motos elétricas e autopropelidos avança no Brasil com regulação e expansão da micromobilidade

Por Redação

O crescimento da mobilidade elétrica no Brasil tem impulsionado o desenvolvimento de seguros específicos para motos elétricas, bicicletas assistidas e veículos autopropelidos, em um cenário ainda em consolidação regulatória. Com a ampliação do uso desses modais nas cidades, seguradoras e associações de proteção veicular passam a adaptar produtos para atender a uma demanda crescente, enquanto órgãos reguladores avançam na organização do setor.

Dados da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) indicam que o mercado de seguros automotivos arrecadou R$ 28,9 bilhões no primeiro semestre de 2025, com crescimento de 5,9% na comparação anual, refletindo a expansão da base de veículos protegidos no país . Ainda assim, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima que até 70% da frota brasileira circula sem cobertura, o que abre espaço para novos nichos, como o de veículos elétricos leves.

No campo regulatório, a Lei Complementar nº 213/2025 e normas recentes da SUSEP estabeleceram diretrizes para o funcionamento de associações de proteção veicular, ampliando a fiscalização e trazendo maior segurança jurídica ao setor . A autarquia, responsável por supervisionar o mercado de seguros no país, atua para garantir estabilidade e transparência nas operações.

A regulamentação também dialoga com mudanças no trânsito. A Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu critérios para diferenciar ciclomotores, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos, com base em potência e velocidade . A partir de 2026, ciclomotores passam a exigir registro, emplacamento e habilitação, enquanto patinetes e outros autopropelidos seguem dispensados dessas obrigações, respeitando limites técnicos.

Esse ambiente regulatório influencia diretamente o desenho dos produtos de seguro. No caso das motos elétricas, equiparadas às motocicletas quando ultrapassam 50 km/h, as coberturas seguem o modelo tradicional, incluindo proteção contra colisão, roubo e danos a terceiros. Já para bicicletas elétricas e autopropelidos, surgem soluções mais flexíveis, com foco em roubo, danos e responsabilidade civil.

Empresas do setor já oferecem planos voltados à micromobilidade, incluindo cobertura contra furto, acidentes e danos a terceiros, além de assistência 24 horas . Esse tipo de produto acompanha a mudança no perfil do usuário urbano, que utiliza esses veículos para deslocamentos curtos e trabalho.


Micromobilidade pressiona mercado por novos produtos

Especialistas avaliam que o avanço regulatório tende a estimular a formalização e o crescimento do mercado. Para o presidente do Clube Unir, Hilário Balvedi, “a SUSEP cria um ambiente mais seguro para o associado e para as próprias entidades”, ao estabelecer critérios e fiscalização mais claros . Segundo ele, a medida fortalece tanto o modelo tradicional de seguros quanto as alternativas mutualistas.

A diferença entre seguro e proteção veicular também ganha relevância nesse contexto. Enquanto o seguro transfere o risco para a seguradora mediante pagamento de prêmio, a proteção veicular funciona por meio de rateio entre associados, modelo que passou a ser regulamentado recentemente. A nova legislação busca reduzir a informalidade e ampliar a confiança do consumidor.

Outro fator que sustenta a expansão desse mercado é o aumento de ocorrências envolvendo veículos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país registrou cerca de 215 mil roubos e furtos de veículos em 2024, evidenciando a demanda por mecanismos de proteção patrimonial.

Com a consolidação das regras e o avanço da micromobilidade, a tendência é de diversificação das ofertas de seguro, com produtos ajustados a diferentes perfis de veículos e usuários. O movimento acompanha a transformação do transporte urbano e aponta para um mercado em adaptação, com potencial de crescimento nos próximos anos.

Foto: Tomaz Silva – Agência Brasil

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