Preço da energia no mercado livre sobe no Brasil entre 2024 e 2026 e pressiona contratos de empresas
Por Redação
O preço da energia no mercado livre brasileiro registrou alta entre 2024 e 2026, impulsionado por mudanças regulatórias, condições hidrológicas e aumento da percepção de risco no setor, segundo dados recentes de entidades do mercado e de operadores do sistema. O movimento ocorre no Ambiente de Contratação Livre (ACL), onde consumidores negociam diretamente com geradores e comercializadores, e tem impacto direto sobre custos de empresas que migraram para esse modelo em busca de previsibilidade e economia.
Levantamento publicado em abril de 2026 aponta que o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de curto prazo, teve aumento de 84% no período, passando de R$ 129 por megawatt-hora (MWh) em 2024 para R$ 236 por MWh em 2026. O avanço também aparece em diferentes tipos de contratos: negociações de longo prazo subiram 59%, enquanto operações com entrega em três meses registraram alta de 121%, refletindo a volatilidade recente.
Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica mostram que o PLD segue em patamares elevados em 2026, com médias diárias acima de R$ 200/MWh em algumas regiões do país, evidenciando um cenário de preços mais pressionados no curto prazo.
Segundo Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia, o mercado livre ainda responde por parcela relevante do consumo nacional, especialmente na indústria, e manteve crescimento mesmo com a alta recente. Em 2024, consumidores desse ambiente economizaram cerca de R$ 55 bilhões em relação ao mercado regulado, o que mantém o modelo atrativo apesar da elevação dos preços.
Especialistas do setor apontam que o aumento dos preços está ligado a fatores estruturais e conjunturais. Entre eles, o nível dos reservatórios das hidrelétricas, que influencia o despacho de usinas térmicas, e alterações nos modelos de cálculo de preços. Também pesam eventos como a saída de comercializadoras e a maior percepção de risco entre agentes.
Em nota divulgada por entidade do setor, o presidente da Abraceel, Rodrigo Ferreira, afirmou que “o mercado livre segue competitivo, mas exige maior gestão de risco por parte dos consumidores”, destacando a necessidade de contratos estruturados para mitigar a volatilidade.
No ambiente de negociação, as curvas futuras indicam manutenção de preços elevados ao longo de 2026, segundo dados do Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), o que reforça a tendência de cautela nas decisões de contratação.
Mercado livre de energia: expansão e novos desafios
A abertura do mercado livre para novos consumidores a partir de 2024 ampliou o número de empresas aptas a negociar energia diretamente, incluindo negócios de menor porte. A mudança, prevista em normas do Ministério de Minas e Energia e acompanhada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, aumentou a demanda por contratos no ACL e contribuiu para a dinâmica atual de preços.
Analistas avaliam que o cenário combina expansão da demanda, maior participação de fontes renováveis e necessidade de adaptação regulatória. Nesse contexto, a formação de preços tende a refletir tanto condições climáticas quanto ajustes institucionais, com impacto direto sobre estratégias de compra de energia.
Apesar da alta recente, agentes do setor indicam que o mercado livre mantém relevância como alternativa para consumidores que buscam flexibilidade contratual. A expectativa é de que o avanço da geração renovável e a evolução dos mecanismos de contratação influenciem o comportamento dos preços nos próximos anos, em um ambiente ainda marcado por incertezas e ajustes estruturais.
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