Menos de um quarto dos CEOs recomendaria o próprio RH, e pressão por resultado amplia distância nas empresas

Menos de um quarto dos CEOs recomendaria o próprio RH, e pressão por resultado amplia distância nas empresas

Por Redação

A relação entre presidentes de empresas e áreas de Recursos Humanos entrou em um novo ciclo de cobrança em 2026. Pesquisa da Flash em parceria com a FIA Business School mostrou que menos de um quarto dos CEOs brasileiros recomendaria o RH de suas empresas para outras organizações, enquanto 31% se declararam detratores da área. O resultado expôs um desalinhamento entre a estratégia das companhias e a percepção da alta liderança sobre a atuação dos departamentos responsáveis pela gestão de pessoas.

O levantamento ganhou espaço no debate corporativo em um momento em que empresas pressionadas por custos, adoção de inteligência artificial e mudanças no mercado de trabalho passaram a exigir respostas mais rápidas das equipes de RH. Dados da 29ª CEO Survey, da PwC, mostram que 38% dos CEOs brasileiros apontam a instabilidade macroeconômica como principal ameaça aos negócios, enquanto 37% afirmaram já ter registrado aumento de receita ligado ao uso de inteligência artificial nos últimos 12 meses.

Nesse cenário, especialistas avaliam que a área de Recursos Humanos deixou de ser vista apenas como responsável por recrutamento e clima organizacional e passou a ser cobrada por impacto direto nos resultados financeiros e operacionais das empresas.

Para Marco Castro, presidente da PwC Brasil, o ambiente corporativo atual exige integração maior entre estratégia e gestão de pessoas. Em entrevista publicada pela Exame, o executivo afirmou que os líderes enfrentam riscos estruturais e precisam equilibrar desafios imediatos com visão de longo prazo.

A pressão também aparece em estudos da EY. Pesquisa divulgada em abril aponta que 86% dos CEOs brasileiros esperam impactos significativos ou transformadores da inteligência artificial em seus modelos de negócio nos próximos dois anos. Além disso, 98% das empresas afirmam já ter iniciado ou planejado processos de transformação corporativa para os próximos 12 meses.

RH estratégico entra no centro da cobrança corporativa

A avaliação negativa de parte dos CEOs ocorre ao mesmo tempo em que empresas relatam dificuldade para contratar e reter profissionais. Levantamentos de mercado indicam que o RH ainda enfrenta desafios para conectar indicadores de desempenho, desenvolvimento de lideranças e planejamento estratégico.

Em análise publicada após a divulgação da pesquisa, especialistas em gestão apontaram que muitos CEOs enxergam os departamentos de RH como áreas excessivamente operacionais e distantes das decisões de negócio.

O movimento também coincide com mudanças no perfil das equipes. Segundo levantamento publicado pela revista ‘Você RH’, um terço das empresas brasileiras pretende ampliar suas áreas de suporte operacional em 2026, enquanto 41% dos gestores de contratação afirmam que devem oferecer salários maiores para profissionais com domínio de dados e inteligência artificial.

Na avaliação de especialistas, o avanço tecnológico acelerou a necessidade de um RH mais analítico e orientado a resultados. A expectativa das empresas é que a área tenha participação maior em produtividade, retenção de talentos e adaptação cultural das equipes diante da digitalização.

Discussões sobre liderança também aparecem entre trabalhadores. De acordo com a pesquisa Work Relationship Index 2025, da HP, apenas 20% dos trabalhadores entrevistados no estudo, afirmam ter uma relação saudável com o trabalho. Além disso, a liderança aparece como um dos pontos mais críticos nessa relação.

Apesar das críticas, especialistas afirmam que a responsabilidade pelo distanciamento entre CEOs e RH não recai apenas sobre os departamentos de pessoas. A avaliação é de que muitas empresas ainda mantêm estruturas em que a área participa pouco das decisões estratégicas, limitando sua atuação a funções administrativas.

Com empresas mais pressionadas por produtividade, transformação digital e retenção de profissionais, a tendência é que a relação entre CEOs e Recursos Humanos continue no centro das discussões corporativas ao longo de 2026.

Foto: Pexels 

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