Guerra no Oriente Médio pressiona custos, logística e exportações do agronegócio brasileiro

Guerra no Oriente Médio pressiona custos, logística e exportações do agronegócio brasileiro

Escalada do confronto afeta fertilizantes, fretes e acesso a mercados, com impactos diretos na safra e no comércio exterior do Brasil

Por Redação 

O conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã já provoca efeitos concretos sobre o agronegócio brasileiro, com impactos que vão do aumento dos custos de produção à incerteza nas exportações, apesar do recente cessar-fogo. A escalada militar iniciada no fim de fevereiro de 2026 elevou o risco nas cadeias globais de insumos e energia, afetando diretamente um setor que responde por parcela relevante da economia do país.

O principal canal de transmissão do conflito ocorre por meio dos fertilizantes e da energia. O Oriente Médio é responsável por cerca de 15% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil, e uma parcela significativa da ureia global passa por rotas marítimas da região. Interrupções logísticas, especialmente no Estreito de Ormuz, ampliam os custos e colocam em risco o abastecimento desses insumos essenciais para a safra.

Dados do Ministério da Agricultura indicam que até 41% das importações brasileiras de ureia passam por áreas afetadas pela tensão geopolítica. Além disso, quase metade dos embarques globais do produto utiliza essa rota estratégica, o que aumenta a sensibilidade dos preços internacionais a qualquer instabilidade. 

Segundo análise do Insper Agro Global, os efeitos do conflito vão além do fornecimento de insumos. Em relatório recente, pesquisadores apontam que “entraves logísticos e energéticos podem afetar o acesso aos mercados do Oriente Médio e elevar custos de produção”, indicando um cenário de pressão simultânea sobre oferta e demanda. 

No campo logístico, o aumento do risco na região já impacta o transporte marítimo. O encarecimento dos seguros e dos fretes afeta o escoamento de commodities como soja e milho. Em paralelo, a alta do petróleo — impulsionada pelas tensões — tende a elevar o preço do diesel, com efeito direto sobre o transporte interno no Brasil. Em cenários de alta mais intensa, o custo do frete pode subir entre 15% e 20%, reduzindo as margens dos produtores. 

Pressão sobre exportações e mercados estratégicos

O Oriente Médio também é um destino relevante para produtos do agronegócio brasileiro. O Irã, por exemplo, respondeu por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho em 2025, o que expõe o setor ao risco de cancelamentos de contratos e redirecionamento de cargas. A instabilidade pode afetar ainda vendas de carnes e açúcar para países da região, que funcionam como hubs comerciais.

Para especialistas, o cenário exige adaptação. Em nota técnica, analistas destacam que a crise reforça a necessidade de diversificação de mercados e fornecedores, além de estratégias de proteção cambial e antecipação de compras de insumos. 

Há, no entanto, efeitos indiretos que podem beneficiar parte do setor. A elevação dos preços internacionais de alimentos, em um contexto de restrições logísticas globais, pode favorecer exportadores brasileiros, desde que consigam manter competitividade e acesso aos mercados. Ainda assim, a volatilidade tende a prevalecer no curto prazo.

A experiência recente de choques geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, mostra que conflitos desse tipo costumam provocar alta nos preços agrícolas e desorganização nas cadeias de suprimentos globais. No caso atual, a dependência brasileira de insumos importados amplia a exposição do país às oscilações externas.

Com isso, o agronegócio brasileiro entra em um período de maior incerteza, em que decisões sobre compra de insumos, logística e comercialização passam a depender de variáveis geopolíticas. A evolução do conflito e eventuais restrições no comércio internacional serão determinantes para o desempenho da safra 2026/2027 e para o resultado das exportações do setor.

Foto: Agência Brasil

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