Energia nuclear pode mais que triplicar até 2060 com avanço da inteligência artificial

Energia nuclear pode mais que triplicar até 2060 com avanço da inteligência artificial

Por Redação

A capacidade mundial de geração de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060, impulsionada pelo crescimento da demanda por eletricidade, pela expansão dos centros de dados e pelo avanço da inteligência artificial (IA). A projeção ocorre em meio à retomada dos investimentos no setor e à busca de governos e empresas de tecnologia por fontes capazes de fornecer energia de forma contínua para sustentar uma infraestrutura digital que exige cada vez mais eletricidade.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mostram que o mundo conta atualmente com mais de 400 reatores nucleares em operação. Segundo informações atualizadas pelo órgão em setembro, são 417 reatores em funcionamento, com cerca de 380 gigawatts (GW) de capacidade, além de 78 unidades em construção, que somam aproximadamente 82 GW.

Em um cenário de maior expansão, projeções apresentadas pela agência indicam que a capacidade nuclear mundial pode chegar à faixa de 1.470 GW em 2060. O movimento acompanha uma mudança na demanda global por eletricidade, com a entrada de consumidores de grande porte ligados à economia digital.

A inteligência artificial é um dos fatores por trás dessa pressão. A Agência Internacional de Energia (IEA) calcula que o consumo mundial de eletricidade dos centros de dados pode praticamente dobrar, passando de 485 terawatts-hora (TWh), em 2025, para cerca de 950 TWh em 2030. No mesmo período, o consumo dos data centers voltados especificamente à IA pode triplicar.

Inteligência artificial aumenta demanda por energia

O crescimento ocorre porque treinamento e operação de modelos de IA dependem de servidores que funcionam continuamente e demandam infraestrutura de processamento e refrigeração. Segundo a IEA, o consumo de eletricidade dos centros de dados dedicados à inteligência artificial cresceu 50% somente em 2025.

A demanda tem aproximado o setor nuclear das empresas de tecnologia. Um documento da AIEA destaca movimentos de companhias como Google, Microsoft, Amazon e Meta para contratar ou apoiar projetos de geração nuclear. Entre as iniciativas estão acordos envolvendo pequenos reatores modulares, os chamados SMRs, e a retomada de instalações existentes.

Para o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, a relação entre as duas tecnologias deve ganhar espaço no planejamento energético. Em posicionamentos da agência, Grossi tem chamado essa aproximação de uma convergência entre “o átomo e o algoritmo”, diante da necessidade de fornecer eletricidade contínua para uma economia cada vez mais dependente de processamento de dados.

A expansão, no entanto, depende de investimentos, financiamento e capacidade para construir novos projetos. A IEA aponta que os investimentos anuais em energia nuclear já haviam superado US$ 60 bilhões após crescerem quase 50% em três anos. A agência também destaca que os pequenos reatores modulares podem ampliar as possibilidades de implantação da fonte, embora questões regulatórias, custos e prazos de construção ainda sejam obstáculos.

O avanço da IA adicionou uma nova variável a esse cenário. Além dos compromissos de redução de emissões e da busca por segurança energética, a necessidade de garantir eletricidade disponível 24 horas por dia para centros de dados passou a integrar as decisões sobre novas usinas. Com isso, a expansão da infraestrutura digital pode se tornar um dos fatores para determinar o ritmo dos investimentos nucleares nas próximas décadas.

Foto: Pexels 

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