Empregos verdes avançam no Brasil e podem gerar milhões de vagas até 2030
Por Redação
A transição para uma economia de baixo carbono tem ampliado a demanda por empregos verdes no Brasil e no mundo, impulsionando setores como energia renovável, agricultura sustentável e gestão de resíduos. Esses postos de trabalho, que combinam atividade econômica com redução de impactos ambientais, ganham espaço à medida que empresas e governos adotam metas climáticas e políticas de sustentabilidade. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a expectativa é de criação de 18 milhões de empregos verdes até 2030, com potencial de cerca de 7,1 milhões de vagas no Brasil.
Definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como atividades que contribuem para reduzir emissões de carbono e preservar o meio ambiente, os empregos verdes incluem tanto novas funções quanto a adaptação de profissões tradicionais a práticas mais sustentáveis . No país, áreas como energia, transporte, reciclagem e construção civil concentram parte relevante dessas oportunidades, refletindo mudanças na matriz produtiva e no consumo.
Dados da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) indicam que o setor de energias renováveis somou mais de 11 milhões de empregos no mundo em 2020, enquanto o Brasil se destaca como um dos principais empregadores em segmentos como biocombustíveis, energia eólica e solar . Esse movimento acompanha o aumento da demanda por profissionais com habilidades específicas. De acordo com o relatório Global Green Skills, do LinkedIn, a participação de trabalhadores com competências verdes passou de 9,6% em 2015 para 13,3% em 2022, crescimento de 38,5%.
No mercado brasileiro, o avanço dessas ocupações também está associado à necessidade de adaptação tecnológica e regulatória. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que os empregos verdes podem ser identificados tanto pela atividade exercida quanto pelo setor econômico em que estão inseridos, abrangendo desde funções operacionais até cargos especializados . Essa diversidade amplia o alcance das oportunidades, mas exige qualificação em áreas como ciência ambiental, engenharia e planejamento urbano.
“A transição energética e produtiva exige requalificação da força de trabalho e investimento em formação”, afirma o Fórum Econômico Mundial, ao destacar que empresas têm papel central na capacitação profissional para atender às novas demandas . Na mesma linha, a superintendente de Desenvolvimento Organizacional da Neoenergia, Régia Barbosa, afirma que “empregos verdes podem ser criados em todos os setores e empresas”, indicando que a transformação não se restringe a segmentos específicos.
Economia sustentável e mercado de trabalho
A expansão dos empregos verdes ocorre em paralelo a mudanças estruturais na economia global. A substituição de fontes fósseis por energia limpa, a eletrificação da mobilidade e a adoção de práticas de economia circular têm impacto direto na geração de empregos e na reorganização de cadeias produtivas. Segundo estimativas da ONU, enquanto cerca de 7,5 milhões de postos podem ser extintos em setores intensivos em carbono, outros 22,5 milhões devem ser criados em áreas como agricultura, construção e energia.
No Brasil, onde cerca de 3 milhões de trabalhadores já atuam em atividades consideradas verdes, o desafio passa pela ampliação da qualificação e pela integração dessas funções ao mercado formal . A tendência é que a demanda por profissionais com competências ambientais continue em expansão, acompanhando compromissos internacionais e pressões por produtividade com menor impacto ambiental.
A consolidação desse mercado depende da articulação entre políticas públicas, investimento privado e formação profissional. À medida que a economia avança em direção a modelos sustentáveis, os empregos verdes passam a ocupar posição central nas estratégias de crescimento e geração de renda.
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