Economia verde pode adicionar até US$ 20 trilhões ao PIB global e reconfigurar mercados até 2070, aponta ONU
Por Bárbara Souza
A transição para uma economia verde pode gerar impactos relevantes sobre o crescimento econômico global nas próximas décadas, com potencial de adicionar até US$ 20 trilhões anuais ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2070, segundo relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O estudo indica que mudanças estruturais em setores como energia, alimentos e indústria podem alterar a dinâmica produtiva e reduzir custos associados à degradação ambiental.
De acordo com o relatório “Global Environment Outlook (GEO-7)”, os benefícios econômicos da transformação ambiental devem começar a se consolidar a partir de 2050, com crescimento progressivo nas décadas seguintes. A análise considera a adoção de políticas públicas e investimentos voltados à redução de emissões, preservação de recursos naturais e reestruturação de cadeias produtivas.
A ONU estima que o modelo econômico atual, baseado em alta emissão de carbono e uso intensivo de recursos, já provoca perdas de trilhões de dólares por ano, além de impactos diretos sobre a produtividade e os sistemas de saúde. A manutenção desse padrão tende a ampliar os custos econômicos no médio e longo prazo, segundo o documento.
O relatório também aponta que a transição para uma economia de baixo carbono exige investimentos relevantes. Estimativas indicam a necessidade de cerca de US$ 8 trilhões anuais para viabilizar metas como neutralidade de emissões até 2050 e conservação da biodiversidade. Ainda assim, o custo da inação é considerado superior ao volume de recursos necessários para a mudança de modelo.
Para Edgard Gutiérrez-Espeleta, copresidente da avaliação do GEO-7 e ex-ministro do Meio Ambiente da Costa Rica, a transformação econômica já não é opcional. “Medidas urgentes não são mais opcionais, são necessárias”, afirmou, durante a apresentação do relatório.
Especialistas destacam que a economia verde envolve não apenas questões ambientais, mas também mudanças estruturais no funcionamento dos mercados. A incorporação de variáveis ambientais nas contas econômicas, por exemplo, permite mensurar o valor de recursos naturais na geração de riqueza e orientar decisões de investimento e políticas públicas.
Além dos ganhos macroeconômicos, a ONU projeta efeitos sociais associados à transição. O relatório indica que políticas voltadas à sustentabilidade podem reduzir a exposição a riscos climáticos, evitar milhões de mortes relacionadas à poluição e ampliar o acesso a recursos básicos, como energia e alimentos.
A reconfiguração da economia global também deve impactar setores específicos. A expansão de energias renováveis, a adoção de tecnologias limpas e a mudança nos padrões de consumo são apontadas como fatores que tendem a influenciar cadeias produtivas e o mercado de trabalho.
O relatório da ONU conclui que a economia verde representa uma mudança estrutural no modelo de crescimento, com efeitos simultâneos sobre produção, renda e sustentabilidade ambiental. A velocidade e a escala dessa transformação dependerão da coordenação entre governos, setor privado e instituições multilaterais, além da capacidade de mobilizar recursos financeiros em nível global.
Foto: RICARDO STUCKERT/PR
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