Seguro para carros blindados cresce com aumento da demanda e pressiona custos no setor automotivo

Seguro para carros blindados cresce com aumento da demanda e pressiona custos no setor automotivo

Por Redação

O mercado de seguros para carros blindados no Brasil tem registrado expansão nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da circulação desses veículos em grandes centros urbanos e pela busca por proteção patrimonial. Em 2025 e 2026, a ampliação da frota blindada e o cenário de segurança nas capitais levaram seguradoras a adaptar coberturas e revisar preços, principalmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, onde a demanda é mais concentrada.

Dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) indicam que mais de 12 mil veículos foram blindados em 2025, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior. O país já soma cerca de 300 mil carros blindados em circulação, o que coloca o Brasil entre os maiores mercados desse segmento no mundo . Esse avanço tem impacto direto no setor de seguros, que passou a lidar com riscos e custos distintos dos veículos convencionais.

O seguro para carros blindados pode custar de duas a quatro vezes mais do que o de um automóvel comum. Em média, o valor anual varia entre 5% e 12% do preço total do veículo, incluindo a blindagem, podendo ultrapassar dezenas de milhares de reais dependendo do modelo e do perfil do motorista . Em alguns casos, apólices chegam a R$ 45 mil por ano, segundo estimativas do setor.

Segundo especialistas, a elevação dos custos está ligada principalmente ao valor das peças balísticas e à necessidade de mão de obra especializada. Vidros blindados, por exemplo, podem custar entre R$ 8 mil e R$ 25 mil por unidade, enquanto para-brisas podem ultrapassar R$ 40 mil . Além disso, apenas oficinas certificadas realizam reparos, o que restringe a oferta de serviços e eleva o preço.

Para o diretor técnico de uma entidade do setor de seguros, a complexidade é um fator determinante. Em nota divulgada por sindicato de seguradoras, o especialista afirma que “o veículo blindado incorpora elementos que aumentam o custo de reparo e exigem coberturas específicas”. Ele destaca que itens como mantas balísticas e reforços estruturais exigem avaliação diferenciada pelas companhias.

Mercado e coberturas especializadas ganham espaço

Com o avanço da blindagem, as seguradoras passaram a desenvolver produtos específicos. Diferentemente do seguro tradicional, as apólices para veículos blindados incluem cláusulas próprias para vidros, placas balísticas e equipamentos de segurança. Nem todos os danos são cobertos: desgastes naturais, como a delaminação dos vidros, por exemplo, ficam fora da proteção padrão.

Outro ponto relevante é a limitação de empresas que atuam nesse nicho. Nem todas as seguradoras aceitam veículos blindados devido ao risco elevado e à dificuldade de precificação. O nível da blindagem, regulamentado por normas federais, também influencia diretamente o valor do seguro e a disponibilidade de cobertura.

Além do perfil do motorista, fatores como local de circulação, histórico de sinistros e uso do veículo impactam o cálculo do prêmio. Regiões com maior incidência de violência tendem a apresentar seguros mais caros, refletindo o risco percebido pelas seguradoras.

Na avaliação de representantes do setor, o crescimento desse mercado indica uma mudança no comportamento do consumidor e traz desafios para a indústria. A tendência é que o seguro para carros blindados continue em expansão, acompanhando a evolução da frota e as demandas por segurança, ao mesmo tempo em que pressiona custos e exige inovação das seguradoras.

Foto: Freepik 

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