“Quando o mercado está em crise, as empresas começam a enxugar”, diz CEO sobre impactos na publicidade legal

“Quando o mercado está em crise, as empresas começam a enxugar”, diz CEO sobre impactos na publicidade legal

Ao longo dos últimos dez anos, o mercado financeiro brasileiro passou por mudanças marcadas por crises, retomadas e avanço tecnológico, com efeitos diretos sobre a forma como empresas se comunicam com investidores e cumprem exigências legais. A avaliação é de Romeu Pace, diretor e CEO da PS Publicidade, parceira do Diário do Acionista desde 2016, que acompanhou de perto essas transformações em um período de instabilidade econômica e transição digital.

“O mercado brasileiro, na última década, atravessou muitas circunstâncias, né? E não posso nem falar que outras décadas anteriores, que também foram bastante impactantes e, na verdade, afetam diretamente a publicidade legal, porque quando o mercado está numa situação crítica de crise econômica, as empresas começam a enxugar e muitas delas acabam até nem cumprindo a exigência legal, né? Então é um período assim onde a competição fica mais acirrada, fica muito mais difícil trabalhar. As empresas esqueceram, deixaram de lado algumas coisas importantes e seguiram da maneira que melhor lhe convier, para poder atender as demandas”, afirma ele. 

A fala resume um cenário observado em dados oficiais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou retrações significativas do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e 2016, com quedas de 3,5% em ambos os anos, além da contração de 3,3% em 2020, no contexto da pandemia. Em momentos como esses, a redução de custos por parte das empresas impacta diretamente setores como o de publicidade legal, que depende do cumprimento de obrigações formais de divulgação.

Pace relembra ainda um episódio marcante para o setor, em 2019, quando medidas provisórias suspenderam temporariamente a obrigatoriedade de publicações legais. “Durante praticamente seis meses não houve publicações. Foi preciso adaptar toda a operação, rever custos e manter a equipe”, afirma. Segundo ele, a continuidade das atividades foi possível graças à adaptação interna e à relação com clientes.

Transformação digital e exigências legais redesenham o setor

Nos últimos anos, a digitalização alterou de forma estrutural a publicidade legal no Brasil. A criação do chamado “caderno digital”, com certificação eletrônica e exigência de publicação integral de documentos, redefiniu práticas operacionais e ampliou o alcance das divulgações. “Foi uma mudança completa, que exigiu a criação de uma nova cultura”, diz Romeu.

Dados da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) apontam crescimento consistente da digitalização nas comunicações corporativas, movimento alinhado à necessidade de maior transparência e eficiência. No campo regulatório, iniciativas como a atuação da Abra Legal e diretrizes do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI) contribuíram para fortalecer a obrigatoriedade das publicações.

Segundo o executivo, esse processo também evidenciou diferenças no comportamento das empresas. “A maioria busca cumprir corretamente suas obrigações, mas ainda existe uma parcela que evita dar satisfação ao mercado”, afirma. A ampliação da fiscalização pelas juntas comerciais, no entanto, tem reduzido esse espaço ao longo do tempo.

Pace destaca que a tecnologia trouxe mais agilidade e simplificou processos. “Hoje fazemos tudo pelo celular, com rapidez e eficiência. Quem não se adaptar terá dificuldades”, afirma. A tendência acompanha estudos de consultorias como a Deloitte, que apontam a digitalização da governança corporativa como um dos principais vetores de transformação no ambiente empresarial.

Apesar das incertezas recentes, influenciadas por fatores externos como conflitos internacionais e períodos de juros elevados, o executivo mantém uma avaliação positiva. Para ele, o Brasil tem potencial para crescer nos próximos ciclos econômicos, desde que haja estabilidade. “O país tem potencial e pode assumir um papel de liderança, se houver continuidade e serenidade na condução econômica”, conclui.

Foto: Reprodução Facebook

LEIA TAMBÉM: Ministério restringe tarifas e limita custo do crédito consignado

Compartilhe nas suas redes sociais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *