IA muda indicadores de desempenho e pressiona empresas a transformar operações, aponta pesquisa

IA muda indicadores de desempenho e pressiona empresas a transformar operações, aponta pesquisa

Por Redação

A inteligência artificial (IA) tem alterado a forma como empresas medem produtividade, eficiência e competitividade, levando organizações a rever processos, estruturas e estratégias de investimento. Em um cenário de adoção crescente da tecnologia, executivos relatam avanços no uso da IA, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar projetos em ganhos de desempenho. O movimento ocorre em diferentes setores da economia e reforça a necessidade de integração entre tecnologia, gestão de dados e qualificação das equipes.

Levantamento da PwC, realizado com 767 líderes de operações e cadeia de suprimentos de empresas dos Estados Unidos, mostra que 85% dos entrevistados afirmam estar à frente dos concorrentes em transformação digital. Apesar disso, 89% reconhecem que os investimentos em tecnologia ainda não entregaram todos os resultados esperados. A pesquisa também revela que apenas 27% das empresas incorporaram uma estratégia de IA em todas as unidades de negócio, enquanto 37% dizem confiar na execução de processos operacionais completos por agentes de inteligência artificial.

Os dados indicam que a adoção da IA deixou de ser apenas uma iniciativa voltada para inovação e passou a influenciar indicadores ligados à produtividade, velocidade de resposta, qualidade operacional e redução de custos. Segundo a PwC, organizações que conseguiram combinar inteligência artificial, modernização da infraestrutura de dados e revisão do modelo operacional registraram desempenho superior em comparação às empresas que implementaram projetos isolados.

Outro desafio apontado pelo estudo está na qualidade das informações utilizadas pelos sistemas. Cerca de 87% dos executivos afirmam que problemas relacionados aos dados comprometeram a geração de valor das iniciativas digitais. Apenas 30% disseram ter alcançado melhorias relevantes na qualidade e confiabilidade dessas bases, consideradas fundamentais para que ferramentas de IA produzam resultados consistentes.

IA nas empresas: produtividade depende de estratégia e governança

Para o professor Silvio Meira, cientista-chefe da TDS.Company e membro da Academia Brasileira de Ciências, a inteligência artificial produz resultados quando faz parte da estratégia da organização e não apenas da aquisição de novas ferramentas. “A tecnologia precisa estar conectada aos processos, às pessoas e aos objetivos do negócio. Sem essa integração, o potencial da IA tende a ficar restrito a iniciativas isoladas”, afirma.

Na mesma linha, Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br e membro da Academia Brasileira de Ciências, destaca que o desempenho da IA depende da qualidade das informações utilizadas pelos sistemas. Segundo ele, modelos alimentados por dados organizados e confiáveis oferecem maior previsibilidade, enquanto falhas na governança reduzem a eficiência das aplicações.

A pesquisa da PwC também mostra mudanças na estrutura das empresas. Entre os entrevistados, 94% afirmam que pretendem migrar para modelos operacionais mais horizontais e integrados, impulsionados pela automação e pela inteligência artificial. Atualmente, apenas 41% das organizações já operam nesse formato, indicando que a transformação organizacional ainda está em curso.

A expectativa dos executivos é que a IA amplie a colaboração entre áreas e automatize atividades repetitivas, permitindo que profissionais concentrem esforços em funções analíticas e de tomada de decisão. Mais de 80% dos participantes acreditam que agentes inteligentes e automação contribuirão para eliminar barreiras entre departamentos e acelerar fluxos de trabalho.

Especialistas avaliam que o impacto da inteligência artificial sobre o desempenho das empresas dependerá menos da quantidade de investimentos e mais da capacidade de integrar tecnologia, dados e processos. Nesse contexto, a IA deixa de ser um diferencial restrito ao setor de tecnologia e passa a influenciar indicadores financeiros, operacionais e estratégicos em diferentes segmentos da economia, tornando-se um fator cada vez mais presente nas decisões corporativas.

Foto: Pexels 

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