Crescimento do agronegócio amplia busca por planejamento patrimonial e sucessão familiar
Por Redação
O avanço do agronegócio brasileiro tem levado produtores rurais e empresários do campo a ampliar a preocupação com a gestão do patrimônio acumulado ao longo dos anos. Com propriedades mais valorizadas, aumento dos investimentos e maior profissionalização da atividade, cresce também a demanda por planejamento patrimonial, organização societária e estratégias de sucessão familiar. O movimento acompanha a expansão econômica do setor e busca reduzir riscos relacionados à divisão de bens, à continuidade dos negócios e à preservação do patrimônio entre diferentes gerações.
O agronegócio segue como um dos principais pilares da economia brasileira. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio representou aproximadamente 23% do PIB brasileiro em 2024. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que a agropecuária permanece entre os segmentos com maior contribuição para o crescimento econômico, impulsionada pelo desempenho das safras, da pecuária e das exportações.
Esse cenário tem resultado na formação de patrimônios cada vez mais expressivos no meio rural. Ao mesmo tempo, especialistas observam que muitas propriedades familiares ainda não contam com uma estrutura formal para tratar da sucessão, da governança e da administração dos bens. A ausência desse planejamento pode gerar disputas entre herdeiros, dificuldades na continuidade das atividades e impactos sobre a produtividade das empresas rurais.
Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o planejamento sucessório é um dos fatores que contribuem para aumentar a resiliência das empresas familiares, favorecendo a continuidade das operações e a adaptação às mudanças econômicas. A organização ressalta que estruturas de governança, definição de responsabilidades e planejamento de longo prazo são instrumentos importantes para preservar negócios administrados por diferentes gerações.
Governança e sucessão ganham espaço entre produtores rurais
O planejamento patrimonial reúne diferentes mecanismos voltados à organização dos ativos financeiros e imobiliários, à definição de regras para a sucessão e à proteção do patrimônio familiar. Entre as alternativas mais utilizadas estão a constituição de holdings familiares, acordos societários, testamentos, seguros e instrumentos de governança corporativa, sempre de acordo com as características de cada propriedade e da legislação vigente.
Para o presidente da Comissão de Direito das Sucessões do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Mário Delgado, o planejamento sucessório deve ser encarado como uma ferramenta de organização patrimonial e prevenção de conflitos. Em manifestações públicas sobre o tema, o especialista afirma que a antecipação da sucessão permite estabelecer regras claras para a transmissão dos bens e reduzir disputas familiares, além de conferir maior segurança jurídica ao processo.
A discussão também acompanha mudanças demográficas no campo. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura destaca que a sucessão geracional é um dos desafios para a sustentabilidade da agricultura familiar e da produção de alimentos, defendendo políticas e mecanismos que incentivem a permanência das novas gerações na atividade rural e fortaleçam a gestão das propriedades.
Com o crescimento do patrimônio rural e a consolidação do agronegócio como um dos principais motores da economia brasileira, especialistas avaliam que o planejamento patrimonial tende a ganhar relevância entre produtores de diferentes portes. A adoção de instrumentos de governança e sucessão passou a ser vista não apenas como uma medida voltada à proteção dos bens, mas também como parte da estratégia de continuidade dos negócios e de fortalecimento das empresas familiares diante dos desafios econômicos das próximas décadas.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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