Flávio: Disse a Trump que EUA terá país aliado e não será necessário taxar empresas brasileiras
Por Naomi Matsui e Gabriel Máximo – Estadão Conteúdo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta terça-feira (26), ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião realizada na Casa Branca (EUA) neste mesmo dia, que o país não precisará mais taxar produtos brasileiros, caso o senador seja eleito presidente. Segundo Flávio, os motivos serão os acordos a serem selados entre os dois países.
“Em função de como o governo Lula trata os Estados Unidos, ameaçando o dólar como padrão internacional, no comércio entre países, o que eu disse é que os Estados Unidos teriam um País aliado no Brasil, que não seria necessário ele usar o mecanismo de taxar as empresas brasileiras, porque teríamos a condição de sentar como adultos”, declarou Flávio em entrevista coletiva a jornalistas, após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Flávio afirmou que, se eleito, negociará acordos benéficos para as empresas dos dois países.
Segundo o senador, a conversa com Trump durou 1h40 e, nela, o norte-americano passou dez minutos falando sobre as reformas na Casa Branca. Flávio disse que outros temas envolveram a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a classificação de organizações criminosas brasileiras como organizações terroristas. Ele disse, porém, não ter recebido um posicionamento de Trump sobre a classificação. “Ele falou que estava analisando isso ainda, mas obviamente que não pode tomar uma decisão definitiva para me dar”, declarou.
Além disso, o senador também disse ter exposto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a “diferença gritante” com o governo Lula, caso seja eleito presidente da República.
“Em vez de alinhamentos ideológicos com ditaduras e regimes autoritários, o que o Brasil precisa são parcerias estratégicas que enriqueçam o nosso povo, gerem empregos, tragam investimento, tecnologia e segurança”, declarou o parlamentar, em entrevista coletiva, após se reunir com Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, na tarde desta terça.
Flávio declarou que o objetivo de sua visita foi “oferecer uma alternativa” à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 7 de maio, classificada pelo senador como um “lobby para traficantes”. A fala faz referência à rejeição do governo petista à ideia estudada na Casa Branca de designar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Como exemplo, o parlamentar afirmou que, caso seja eleito presidente, o Brasil passará a integrar o “Escudo das Américas”, iniciativa lançada por Trump para combater o tráfico de drogas e a imigração ilegal na região. Atualmente, aderiram ao programa países chefiados por líderes de direita e alinhados a Washington, como Argentina, Chile e Paraguai.
Encontro na Casa Branca
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, postou foto ao lado do presidente Estados Unidos Donald Trump, na Casa Branca nesta terça-feira, dia 26. A imagem foi divulgada pelo senador em seu perfil no Instagram.
Na postagem, o senador se limitou a adicionar dois “joinhas”, sem fazer comentários em texto.
O influenciador Paulo Figueiredo divulgou uma segunda versão da mesma foto em que além de Flávio Bolsonaro, também aparecem ao lado de Trump no salão oval da Casa Branca o próprio influenciador e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado também divulgou a imagem comentando: “No Salão Oval da Casa Branca com o presidente da maior potência bélica e econômica do mundo, que recebeu o Senador @flaviobolsonaro, candidato à presidência do Brasil, algo simplesmente inédito! E foi muito bom!”.
A divulgação do encontro ocorreu duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser recebido em reunião pelo presidente americano.
O senador chegou por volta das 15h na Casa Branca, depois de deixar o hotel onde se hospedou em Washington, acompanhado de aliados políticos e do irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado.
Ele vestiu um broche de senador e a gravata verde e amarela, antes de chegar à sede da presidência americana.
O pré-candidato do PL tenta reverter uma crise em sua pré-campanha por causa das revelações de elos dele e pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por causa do escândalo do Banco Master.
O senador disse que a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não foi intermediada por “nenhum empresário”. A fala faz referência à revelação de que o empresário brasileiro Joesley Batista ajudou a articular o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder americano.
“Quero registrar, antes de qualquer coisa, que esta reunião não foi intermediada por nenhum empresário duvidoso. Foi um convite direto do presidente dos EUA, feito ao seu nível, entre líderes políticos. Agradeço ao presidente Trump não só pela cordialidade com que me recebeu, mas por ter dedicado tempo da sua agenda a esse encontro”, declarou o senador, em entrevista coletiva, após se reunir com Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, na tarde desta terça.
Segundo Flávio, a agenda com Trump mostra o “prestígio do Brasil, que ainda existe apesar do governo Lula”.
“Nunca antes um presidente dos EUA recebeu no Salão Oval um pré-candidato brasileiro à Presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência. É o reconhecimento de que existe hoje no Brasil uma alternativa séria, sólida e confiável ao desastre do atual governo, e que essa alternativa tem nome”, disse.
O senador afirmou também que, durante o encontro, Trump teria perguntado a ele sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inclusive sobre as condições da prisão do ex-chefe de Estado brasileiro e de como a família tem lidado com a situação
Ainda de acordo com Flávio, o líder americano teria lhe dado uma “challenge coin”, medalha utilizada pelas Forças Armadas dos EUA como símbolo de respeito.
Mudanças na campanha de Flávio Bolsonaro
Por Raisa ToledoO PL anunciou mudanças na área de comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta segunda-feira (25), e confirmou os nomes do publicitário Eduardo Fischer e do marqueteiro Alexandre Oltramari na equipe.
Como mostrou o Estadão, Fischer entrou para a comunicação da pré-campanha após a saída de Marcello Lopes, o “Marcelão”, que deixou o cargo na última quarta-feira, 20.
Segundo comunicado divulgado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador-geral da pré-campanha de Flávio, Fischer será consultor estratégico da comunicação e responsável por definir diretrizes e posicionamento da campanha. Seu sócio, Alexandre Oltramari, assume como marqueteiro, respondendo pela coordenação de comunicação e marketing.
Ao Estadão, Marinho se referiu a Eduardo Fischer como “o publicitário hoje mais premiado do Brasil”. “Fischer tem muita experiência na área de criação, estratégia. Nós esperamos que seja alguém com condição de dar uma roupagem, uma condição adequada para que nosso candidato seja visualizado e entendido pelo eleitorado brasileiro, já que ele precisa ser cada vez mais conhecido”, afirmou.
O novo marqueteiro, Alexandre Oltramari, já comandou a campanha de Simone Tebet ao Senado, em 2014; as duas campanhas do governador amazonense Wilson Lima, em 2018 e 2022; a de Álvaro Dias à Presidência pelo Podemos, em 2018; e foi consultor de marketing da pré-campanha de Aécio Neves (PSDB) à Presidência, em 2013.
O ex-marqueteiro Marcelão deixou a função depois da divulgação do áudio em que Flávio solicitava recursos ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro está preso e é investigado por fraude bilionária ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, disse Flávio em áudio divulgado pelo portal Intercept Brasil. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”, completou.
Segundo a reportagem, R$ 61 milhões de cerca de R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Daniel Vorcaro para o longa foram enviados entre fevereiro e maio de 2025.
Marcelão vinha sendo criticado por aliados de Flávio e integrantes do PL pela condução da resposta à crise, mas Integrantes da campanha disseram que “outras frustrações” levaram a sua saída.
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