Estudo aponta que crédito caro, câmbio e geopolítica ampliam pressão econômica sobre o agronegócio brasileiro em 2026

Estudo aponta que crédito caro, câmbio e geopolítica ampliam pressão econômica sobre o agronegócio brasileiro em 2026

Por Redação

O agronegócio brasileiro entrou em 2026 sob pressão de fatores econômicos e externos que vêm afetando custos de produção, margens e decisões de investimento no campo. A combinação entre juros elevados, valorização de insumos agrícolas, oscilações cambiais e conflitos geopolíticos têm alterado o planejamento de produtores rurais em diferentes regiões do país, segundo o relatório Brazil Agribusiness Quarterly Q1 2026, do Rabobank. Apesar do cenário, o agro continua com peso relevante na economia nacional e mantém expectativa de crescimento, ainda que em ritmo menor do que o registrado no último ano.

Dados do Ministério da Agricultura, com base no IBGE, mostram que o PIB da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, movimentando R$ 775,3 bilhões, o equivalente a cerca de 6,1% do Produto Interno Bruto brasileiro. O resultado foi impulsionado pela recuperação de safras e pela demanda internacional por commodities agrícolas. Para 2026, porém, as projeções indicam desaceleração em razão do aumento dos custos financeiros e das incertezas globais.

Relatórios divulgados pelo Rabobank apontam que a escalada de tensões no Oriente Médio e o ambiente geopolítico mais fragmentado elevaram os preços de fertilizantes, energia e diesel, itens considerados estratégicos para a produção agrícola. Segundo o banco, o conflito internacional intensificou a volatilidade dos mercados e ampliou a pressão sobre o custo operacional das propriedades rurais.

Em entrevista ao Times Brasil CNBC, Andy Duff, gerente de pesquisa do Rabobank para a América do Sul, afirmou que “o preço da ureia subiu cerca de 80%” desde o início das tensões geopolíticas recentes. O avanço nos custos também atingiu fertilizantes fosfatados e combustíveis utilizados no transporte da produção agrícola.

Além do impacto externo, o ambiente doméstico também influencia o setor. O Rabobank avalia que a manutenção de juros elevados no Brasil continua encarecendo o crédito rural e reduzindo a capacidade de investimento dos produtores, especialmente os médios e pequenos. O cenário leva parte do setor a recorrer mais intensamente a capital próprio para custear a safra.

Custos maiores e margens menores desafiam produtores

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta crescimento de 1% para o PIB do agronegócio em 2026, percentual inferior ao desempenho registrado no ano anterior. A entidade atribui a desaceleração à combinação entre crédito restrito, custos elevados e condições climáticas menos previsíveis.

No mercado de commodities, produtores também acompanham os efeitos do câmbio sobre os preços internos. Levantamentos compilados por analistas do setor mostram que a valorização do real frente ao dólar em alguns momentos de 2026 pressionou cotações de soja, milho e café no mercado doméstico, reduzindo receitas em reais para exportadores.

O Rabobank avalia ainda que o comércio agrícola global passou a depender mais de decisões políticas e estratégicas entre países. Em relatório internacional sobre commodities agrícolas, Carlos Mera, chefe de pesquisa da instituição, afirmou que a agricultura global “não opera mais apenas pelas regras de oferta e demanda”, mas também por fatores geopolíticos e comerciais.

Mesmo diante das pressões, o Brasil continua ocupando posição relevante no mercado global de alimentos, especialmente na exportação de soja, milho, carnes e café. Analistas apontam que o desempenho da próxima safra e o comportamento do câmbio serão determinantes para definir o ritmo do setor ao longo do segundo semestre de 2026.

Foto: Pexels

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