Vendas do varejo paulista devem crescer 5% em 2025, prevê FecomercioSP

Vendas do varejo paulista devem crescer 5% em 2025, prevê FecomercioSP
Por Francisco Carlos de Assis – Estadão Conteúdo

O varejo paulista deve fechar este ano com crescimento de 5% em relação a 2024, segundo a FecomercioSP. No entanto, esse avanço é menor que os 9,3% registrados em 2024 na comparação com 2023. A entidade explica que a desaceleração do comércio acompanha a perda de ritmo da economia brasileira, reflexo da política monetária contracionista, que visa justamente arrefecer a economia.

Além disso, a perda de força do varejo ocorreu principalmente no segundo semestre. Alguns setores, como o de automóveis, registraram retração, enquanto supermercados e lojas de roupas cresceram em ritmo mais lento.

“Apesar de positivo, o número sinaliza desaceleração do ritmo de vendas, em consonância com o desempenho da economia brasileira, sobretudo neste segundo semestre. Em 2024, as receitas do setor cresceram 9,3%, alcançando o faturamento bruto mais alto da série histórica, de R$ 1,42 trilhão”, dizem os técnicos da entidade.

Segundo a Federação, essa projeção reflete uma conjuntura complexa, com fatores positivos, mas também desafios relevantes que o País deverá enfrentar no próximo ano.

Entre os pontos positivos, destaca-se um mercado de trabalho aquecido, que mantém o consumo das famílias e eleva a renda média. Além disso, dados do Ipea mostram que os rendimentos do trabalho cresceram 4% no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2024.

“É essa dinâmica que permitirá ao Brasil cumprir as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, entre 2% e 2,5%. Além disso, a inflação começou a cair no início do segundo semestre, embora ainda permaneça acima do teto da meta, de 4,5%”, afirma a entidade.

Outro fator que freia as vendas, especialmente de bens duráveis, são os juros elevados. A Selic está em 15% ao ano, o maior nível dos últimos 20 anos. Como consequência, o Brasil se posiciona como o segundo país com maior taxa de juros real do mundo (9,74%), ficando atrás apenas da Turquia (17,8%).

Além disso, a alta dos juros aumenta o custo do crédito para empresas e consumidores, reduz o consumo e pressiona setores estratégicos do comércio. Esse cenário reforça a importância de monitorar as decisões do Copom e suas implicações para a economia brasileira e o mercado de bens duráveis.

Além disso, os economistas da FecomercioSP destacam que as incertezas fiscais aumentam os riscos para o ambiente de negócios. Segundo eles, a ausência de um plano robusto de corte de gastos, junto aos frequentes questionamentos de membros do governo e aliados sobre a redução da Selic, gera volatilidade nos mercados, pressiona o câmbio, mantém a expectativa de inflação alta e adia o início do ciclo de queda dos juros.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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