Varejo 2026: inteligência, dados e experiência são tendência no setor neste novo ciclo
Por Bárbara Souza
O maior encontro global do varejo, a NRF Retail’s Big Show 2026, realizado no início de janeiro em Nova York, consolidou mais do que expectativas sazonais: traçou um roteiro claro para um setor em profunda transformação. O evento da National Retail Federation, uma entidade centenária que promove o maior fórum mundial da indústria varejista, destacou o ponto de inflexão que marca este ano: a passagem da inovação como discurso para a execução inteligente de tecnologia em escala real.
A tendência do setor para este ano é uma mudança de paradigma: o varejo que “vence” em 2026 não é apenas digital, mas ele é também inteligente, preditivo e orientado por dados e agentes de Inteligência Artificial (IA) que transformam não só a jornada do cliente, mas a própria operação das empresas. Diferentemente de anos anteriores, quando a inteligência artificial era tratada como um sinal de modernidade, desta vez as discussões foram sobre maturidade operacional e capacidade de integrar sistemas de IA de forma estratégica e sustentável nos processos de negócio.
No cerne dessa transformação está o conceito de agentic commerce, uma nova categoria de comércio em que agentes de IA, programas capazes de agir de maneira autônoma com objetivos específicos, já começam a intermediar transações, recomendações e experiências de compra com eficiência e personalização inéditas. Relatórios do evento destacam que, com iniciativas como o Universal Commerce Protocol, anunciado por gigantes como o Google, as barreiras entre plataformas, marcas e consumidores tendem a desaparecer, permitindo uma integração mais fluida entre busca, descoberta e checkout sem fricção para o cliente.
Os números globais apontam para esse movimento: projeções da Gartner sugerem que até o final de 2026, 40% das aplicações corporativas incorporarão agentes de IA focados em tarefas específicas, enquanto o investimento em tecnologias de IA deve crescer vigorosamente nos próximos anos. Esses agentes estão moldando a experiência do consumidor, antecipando desejos e oferecendo recomendações contextualizadas em tempo real, reduzindo gargalos e acelerando o processo de compra.
Ao mesmo tempo, especialistas presentes no evento reforçaram que a tecnologia não substitui, mas complementa, a interação humana. A promessa é liberar tempo e criatividade para que equipes focadas no lado humano do varejo — como construção de marca, atendimento personalizado e fidelização — possam florescer, enquanto as tarefas repetitivas ficam a cargo das máquinas.

Por outro lado, o aumento do uso de tecnologia também intensifica a importância de governança de dados, ética e segurança, levantando debates sobre como as marcas devem equilibrar a personalização com responsabilidade e transparência para manter a confiança do consumidor.
Além da IA
Outras tendências também são previstas, como a redefinição da experiência em loja e a valorização de ambientes que oferecem algo além da transação — experiências sensoriais, interações sociais e serviços agregados — foram reforçadas como diferenciais competitivos. Relatórios setoriais indicam que consumidores, especialmente das gerações mais jovens, estão procurando valor por meio de experiências memoráveis e autênticas, o que implica em repensar o papel físico das lojas no ecossistema varejista.
Finalmente, outro vetor de crescimento que emergiu nas discussões é o das retail media networks, redes de mídia e publicidade próprias dos varejistas que prometem novos fluxos de receita e maior precisão na entrega de mensagens no momento da compra.
Em síntese, as tendências lançadas na NRF 2026 apontam para um varejo mais conectado, inteligente, orientado por dados e centrado no cliente, onde a tecnologia não é um fim, mas um meio de fortalecer relacionamentos, entregar valor e criar experiências que vão muito além de simplesmente vender produtos.
Foto: Pexels
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