Trump questiona vitória de Lula enquanto líderes internacionais o parabenizam; PL admite derrota

Trump questiona vitória de Lula enquanto líderes internacionais o parabenizam; PL admite derrota

Por Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou, nesta segunda-feira (26), o resultado das eleições presidenciais brasileiras, realizadas no domingo (25), que garantiram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram contestadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ocorreram em meio ao reconhecimento da vitória por líderes internacionais e pelo Partido Liberal (PL), legenda do senador Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno.

Durante conversa com jornalistas, Trump levantou suspeitas sobre a condução do processo eleitoral brasileiro e criticou a decisão de ampliar o horário de votação em duas horas, até as 19h. O presidente norte-americano afirmou que a eleição lhe pareceu fraudada, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação.

Apesar dos questionamentos, Trump declarou manter uma boa relação com Lula e reconheceu que não cabe a ele governar o Brasil.

As declarações provocaram uma reação do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, que classificou o posicionamento do norte-americano como equivocado. Alckmin defendeu a autonomia das instituições brasileiras e afirmou que o resultado das urnas deve ser respeitado, sem interferência de governos estrangeiros.

O episódio ocorre em meio às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo norte-americano. Segundo Alckmin, o governo brasileiro pretende retomar as conversas com Washington para buscar um acordo comercial, além de ampliar as relações econômicas com outros mercados.

Líderes internacionais reconhecem reeleição de Lula

Enquanto Trump questionava o processo eleitoral, chefes de Estado e representantes de governos de diferentes regiões reconheceram a vitória de Lula e enviaram mensagens de congratulações ao presidente brasileiro.

O presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou o petista e defendeu o fortalecimento da parceria entre os dois países. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também se manifestou sobre o resultado, assim como o presidente do Equador, Daniel Noboa, que destacou a importância da cooperação regional.

Entre os líderes que reconheceram a reeleição estão ainda a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O representante canadense mencionou oportunidades de ampliação do comércio e da cooperação ambiental entre os países.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, manifestou interesse em aprofundar as relações com o Brasil e citou a possibilidade de um acordo entre o Japão e o Mercosul. A China também divulgou comunicado defendendo a continuidade da cooperação bilateral. O presidente russo, Vladimir Putin, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também reconheceram o resultado.

No cenário nacional, o Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, reconheceu a vitória de Lula. O posicionamento foi divulgado pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, que afirmou respeitar o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar do reconhecimento, Costa Neto defendeu esclarecimentos sobre medidas adotadas pelo governo federal durante a campanha. Segundo o dirigente, a ampliação de gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação levantou questionamentos sobre possíveis impactos na disputa.

A manifestação do partido contrasta com a posição de Flávio Bolsonaro, que declarou não reconhecer o resultado. O senador questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que autorizou a prorrogação da votação após registros de restrições à circulação do transporte coletivo em diferentes cidades. A ampliação do horário havia sido solicitada pelas duas candidaturas.

Segundo os resultados divulgados pelo TSE, Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

Com a conclusão da disputa eleitoral, as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos passam a integrar as discussões sobre o próximo mandato de Lula, enquanto o reconhecimento do resultado avança entre governos estrangeiros e partidos brasileiros.

Foto: Reprodução /Paulo Pinto – Agência Brasil

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