“Transformar as diferenças em algo produtivo”: o desafio de integrar gerações no ambiente de trabalho

“Transformar as diferenças em algo produtivo”: o desafio de integrar gerações no ambiente de trabalho

Por Bárbara Souza

Nas empresas brasileiras, a convivência entre diferentes gerações nunca foi tão complexa, e ao mesmo tempo, tão rica em aprendizados. Baby boomers, assim como as gerações X, Y e Z, dividem o mesmo ambiente de trabalho com expectativas, ritmos e valores distintos. Essa diversidade etária, que antes era vista apenas como um desafio de gestão, hoje se revela também uma forma de inovação e produtividade dentro das organizações empresariais.

Para o professor Wagner Salles, administrador e coordenador da Comissão de Recursos Humanos do CRA-RJ, compreender as diferenças entre as gerações é o primeiro passo para promover uma convivência saudável e produtiva. “Eu acho que a grande diferença entre as gerações, em termos de carreira, é que quanto mais antiga a geração, mais essa geração busca estabilidade, mais pensa no pós-trabalho na questão da aposentadoria. Já as gerações mais novas, como a Z, estão pensando mais em mobilidade, em aproveitar o momento e aproveitar as oportunidades com um imediatismo um pouco maior”, afirma.

Essa diferença de mentalidade se reflete também na forma de se relacionar com o trabalho. De acordo com o relatório Workforce Trends 2025, da consultoria Deloitte, 70% dos profissionais da geração Z priorizam empresas que oferecem propósito e flexibilidade, enquanto 65% dos baby boomers valorizam estabilidade e reconhecimento de longo prazo. “As gerações mais antigas valorizam mais os contatos presenciais, os processos de trabalho, organização e disciplina, enquanto a geração mais nova, até por conta dessa aceleração da tecnologia, não se importa muito com a questão da presencialidade”, explica Salles.

O professor também destaca que o diálogo entre os diferentes perfis é essencial. “Em termos de integração dessas gerações, geralmente o que a gente mais costuma praticar ou recomendar é muito diálogo, muito espaço de conversas, comunicação, mas por meios diversificados também, justamente para atender essas duas gerações naquilo que cada uma se sente mais confortável”. A estratégia, segundo ele, é criar “espaços controlados de comunicação”, onde conflitos são previstos e transformados em oportunidades de aprendizado.

Uma das práticas mais eficazes citada pelo especialista, nesse sentido, é a chamada mentoria reversa, já adotada por grandes empresas. “São as Mentorias Reversas, ou entre pares, colocando, por exemplo, funcionários que são mais antigos para orientar os mais jovens em termos de processos de trabalho, e vice-versa. Colocar os mais jovens que estão mais integrados com tecnologias, ensinando gerações mais antigas a usá-las”, explica Salles. A troca de conhecimentos entre experiência e inovação tem mostrado resultados positivos.

Essa interação multigeracional também pode se refletir diretamente na produtividade das empresas. “Se eu tenho no mesmo espaço gerações mais antigas e mais novas de formas equilibradas e harmônicas, a gente tem uma conjugação interessante, porque de um lado tenho a expertise sobre crises e mudanças estruturais, e de outro, uma geração que tem métodos mais rápidos e adaptáveis para colocar essa mudança em prática”, avalia o professor.

Segundo pesquisa da consultoria McKinsey (2024), empresas que incentivam a diversidade de idade e promovem trocas intergeracionais têm 30% mais chances de apresentar alto desempenho em inovação. No entanto, como alerta Salles, esse convívio requer atenção à saúde emocional: “O cuidado que as áreas de RH e as pessoas têm que ter nessa diversidade multigeracional é sobre segurança psicológica. Gerações mais novas podem se sentir intimidadas ou desprezadas frente à experiência das mais antigas, e vice-versa”.

Para ele, o segredo está na empatia e no reconhecimento mútuo, principalmente a partir de profissionais da área de RH que lidam diretamente com os colaboradores. “Tem que entender e valorizar aquela preocupação e criar mecanismos de apoio psicológico para confirmar que aquela ameaça que ele percebe não vai se concretizar”. Em um mundo do trabalho cada vez mais diverso e dinâmico, compreender e integrar as diferenças entre gerações é mais do que uma questão de convivência: é uma estratégia essencial para o futuro das organizações.

Foto: Pexels

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