Tensão entre Rússia e Ucrânia ameaça ciclo de alta da Bolsa

Tensão entre Rússia e Ucrânia ameaça ciclo de alta da Bolsa

Após um tombo em meio a pressões internacionais, a Bolsa de Valores brasileira oscilava nesta sexta-feira (18), com risco de perder a chance de fechar em alta pela sexta semana consecutiva. Às 12h54, o Ibovespa caía 0,20%, a 113.290 pontos. O dólar comercial recuava 0,75%, a R$ 5,1280, retornando momentaneamente ao patamar mais baixo em quase sete meses.
O mercado de ações brasileiro chegou a passar parte da manhã no azul, mas perdeu força após a abertura das bolsas em Nova York. O mercado americano assumia um viés negativo ainda na primeira hora de negociações. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuavam 0,24%, 0,36% e 0,85%, respectivamente.
Na véspera, o índice de referência do mercado acionário do Brasil havia fechado em queda de 1,43%, interrompendo um ciclo de sete altas diárias consecutivas. Pressões da China, que investiga supostas irregularidades nos preços do minério de ferro, prejudicaram o desempenho das ações dos setores de mineração e metalurgia, um dos mais importantes da Bolsa brasileira.
Como pano de fundo, o cenário desta semana é desfavorável para os mercados de ações em todo o mundo. Investidores estão avessos a aplicações em bolsas por temerem o impacto que as empresas podem sofrer em caso de agravamento das tensões envolvendo Rússia e Ucrânia.
Uma guerra na Europa pode prolongar a inflação, que já é elevada, nas economias desenvolvidas, disse disse Hani Redha, gerente de portfólio da PineBridge Investments, ao The Wall Street Journal.
Esse risco existe porque um conflito na região interromperia o fornecimento de commodities importantes. A Rússia está entre os maiores fornecedores mundiais de petróleo e gás natural. Mas não é só isso. O país é um dos principais exportadores de trigo e um grande produtor de metais como paládio, alumínio e níquel.
“A inflação é realmente a grande questão que determinará como os mercados se comportam e isso só aumenta o atraso na resolução da situação da inflação”, comentou Redha.
Interrupções no fornecimento de insumos para as mais variadas atividades industriais durante a pandemia estão entre as principais causas da atual inflação global, obrigando os principais bancos centrais a discutir cortes em estímulos financeiros e elevações de juros.
É essa discussão sobre política monetária que está direcionando o mercado financeiro mundial e, de certa forma, beneficiando temporariamente o Brasil.
À espera do início efetivo do aperto monetário, sobretudo nos Estados Unidos, grandes investidores vendem ações que acumularam ganhos nos últimos anos. Parte desse capital está sendo direcionado para mercados que estavam baratos, como é o caso do brasileiro.
Diante da iminência de um conflito armado envolvendo uma das maiores potências militares, porém, a incerteza pode prejudicar esse movimento, até então favorável ao Brasil.
No mercado de petróleo, o barril do Brent recuava 0,27%, a US$ 92,72 (R$ 478,05). Avanços em um acordo sobre o programa nuclear do Irã estão motivando especulações sobre a retirada de restrições à oferta de petróleo do país. Isso vem segurando os preços da commodity.

(FOLHAPRESS)

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