Tecnologia revoluciona o agronegócio brasileiro: drones, sensores e IA ampliam produtividade e sustentabilidade no campo
Por Bárbara Souza
Amanda Salis Guazzelli, produtora rural da quarta geração da família, advogada com 15 anos de atuação no agronegócio e especialista em governança familiar e patrimonial, destaca que a agricultura de precisão já conta com um “kit básico” bem definido. Esse conjunto reúne drones, sensores de solo, de plantas e de clima, além de imagens de satélite, todos conectados a softwares analíticos. Nesse contexto, a inteligência artificial atua como “o motor que transforma dados em decisões”. Com isso, a tecnologia apoia desde a identificação precoce de pragas e doenças até a recomendação de insumos em taxas variáveis, de forma mais eficiente.
Esse movimento está em linha com a realidade do campo brasileiro. Além disso, os números confirmam o avanço acelerado dessas ferramentas no campo. Em 2025, o uso de drones agrícolas saltou de cerca de 3 mil unidades em 2021 para mais de 35 mil, o que representa um crescimento superior a 11 vezes em apenas quatro anos. Ao mesmo tempo, estudos recentes indicam que a chamada Agricultura 5.0 já assegura ganhos de produtividade entre 15% e 25%. Paralelamente, os custos operacionais caem em até 30%, reforçando o impacto direto da tecnologia na competitividade do setor.
Na visão de Amanda, a grande vantagem dessas ferramentas é a precisão no manejo da lavoura. Nesse cenário, ela explica que drones e satélites permitem identificar problemas na plantação com maior rapidez. Além disso, sensores instalados em campo indicam, com exatidão, o momento ideal para irrigar, adubar ou corrigir o solo, tornando o manejo mais eficiente. Isso evita a aplicação uniforme de insumos, reduzindo desperdícios e custos. “O produtor consegue intervir no momento certo, usando apenas o necessário e no local correto”, observa.

Os benefícios também aparecem na sustentabilidade. Amanda lembra que tecnologias de manejo localizado reduzem o consumo de água, energia e insumos químicos, além de auxiliar no monitoramento de áreas de preservação, bordas de rios e matas ciliares. “Produtividade e sustentabilidade podem caminhar juntas, fortalecendo a imagem do produtor no mercado”, afirma. Dados recentes comprovam: a irrigação de precisão pode reduzir o uso de água em até 50%, enquanto o monitoramento por satélite ajuda a controlar impactos ambientais.
Apesar dos avanços, os desafios são significativos, principalmente para pequenos e médios produtores. O custo inicial, a necessidade de conectividade no meio rural e a falta de capacitação técnica são os maiores obstáculos. Amanda destaca que operar drones, interpretar imagens multiespectrais e integrar essas soluções à rotina da fazenda exige investimento em treinamento e adaptação de processos.
Outro ponto de transformação está na mão de obra. Para Amanda, as funções no campo já exigem mais análise e domínio de ferramentas digitais do que tarefas repetitivas. Profissionais capazes de operar drones, interpretar dados geoespaciais e usar softwares de agricultura de precisão ganham cada vez mais espaço. Ela ressalta que esse avanço tecnológico tem atraído jovens para o agronegócio e reduzido o chamado gap geracional. “As novas gerações veem no campo um ambiente conectado e inovador”, comenta.
Esse movimento mostra como a agricultura brasileira vive um momento de convergência entre tradição e inovação, onde tecnologia e conhecimento humano se unem para ampliar a eficiência, a sustentabilidade e a competitividade do setor.
Foto: Pexels
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