Setor financeiro é o maior pagador de impostos do país e cresce mais que PIB, diz estudo do FIN

Setor financeiro é o maior pagador de impostos do país e cresce mais que PIB, diz estudo do FIN

Por André Marinho – Estadão Conteúdo

O setor financeiro é o que mais paga impostos federais no Brasil desde pelo menos 2011, aponta estudo da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), divulgado neste domingo (14).

Com base em dados da Receita Federal, a pesquisa mostrou que, entre 2016 e 2021, a indústria financeira pagou em tributos cerca de 10 pontos percentuais a mais do que sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) sugeriria.

O Brasil enfrenta uma carga tributária maior do que a registrada em 75% dos países, em níveis semelhantes aos de economias desenvolvidas, segundo o material da Fin. Ao mesmo tempo, 4,5% do PIB são destinados à redução de impostos para atividades selecionadas. “Consequentemente, enquanto as empresas no Brasil pagam um volume elevado de tributos, algumas atividades pagam ainda mais do que outras”, afirmam os pesquisadores.

Os números foram divulgados em meio a disputas entre fintechs e bancos sobre quem enfrenta a maior tributação. No final de novembro, o CEO do Nubank, David Vélez, afirmou que a fintech é a maior pagadora de impostos no Brasil, com alíquota efetiva de 31%. Em resposta, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse que a diferença se deve à maior rentabilidade e acusou a instituição de Vélez de aproveitar “assimetrias regulatórias”.

Um dos 5 maiores setores

De acordo com o relatório da Fin, a atividade financeira representou 4,8% do PIB brasileiro em 2024, equivalente a R$ 483,6 bilhões em valor adicionado. O setor está entre os cinco maiores da economia, superando áreas intensivas em mão de obra. O segmento cresceu 7,5% em 2023 e 3,7% em 2024, acima da expansão do PIB, que foi de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, segundo o estudo.

“Os dados mostram com clareza que o sistema financeiro brasileiro não apenas impulsiona investimento, inovação e consumo. Ele também sustenta uma parcela significativa do emprego formal e da arrecadação pública. Com um ambiente econômico favorável, o potencial de contribuição desse setor ao País pode ser ainda maior”, disse a presidente da Fin, Cristiane Coelho.

O crédito ao setor privado alcançou 93,5% do PIB em 2024, abaixo da mediana internacional, que é de 139,0%, segundo o estudo. Mesmo assim, entre 2019 e 2024, o indicador cresceu 16,5 pontos percentuais, registrando o terceiro maior avanço entre cerca de 40 economias analisadas. Para efeito de comparação, a mediana dos países avaliados mostra que o crédito privado como proporção do PIB caiu 5,7 pontos percentuais.

Em meio à popularização do Pix, o estudo evidencia que o Brasil está entre os mercados que mais ampliaram o volume e o valor de transações eletrônicas. Além disso, no mercado de trabalho, o número de empregados do setor cresceu, em média, 3,2% ao ano entre 2011 e 2021, enquanto a remuneração nominal avançou 7,4% ao ano.

Quando analisamos todas as atividades que compõem o setor financeiro, fica clara a sua verdadeira dimensão. Em 2024, ele representou quase 5% do PIB brasileiro e se destacou entre as grandes atividades acompanhadas pelo IBGE, apresentando o desempenho mais alinhado ao consumo e ao investimento futuros, afirma o economista Vinícius Botelho, gerente de Assuntos Econômicos da Fin.

Foto: Pexels

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