Setor energético brasileiro tem emissões quatro vezes menores que a média mundial em 2024
Por Bárbara Souza
Em 2024, o setor de energia brasileiro respondeu por apenas 20% das emissões totais de CO₂ do país. Os dados constam no Balanço Energético Nacional (BEN) 2025, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Esse número se destaca por estar muito abaixo da média global, estimada em 76%, reforçando o Brasil como uma das nações com matriz energética mais limpa e renovável do mundo.
Além disso, o relatório ressalta que o resultado evidencia o diferencial competitivo do país no cenário internacional em termos de sustentabilidade e energia renovável. Na comparação internacional de emissões por unidade de Oferta Interna de Energia, o Brasil também ocupa posição privilegiada.
Em 2024, o país emitiu 1,3 tonelada de CO₂ por tonelada equivalente de petróleo (tep) associada à oferta interna de energia. Esse valor é significativamente inferior ao registrado em países como Estados Unidos, China e membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Quando se analisa a geração elétrica, o desempenho do Brasil é ainda mais impressionante. Foram registrados apenas 59,9 kg de CO₂ por Megawatt-hora (MWh), um dos índices mais baixos do mundo. Segundo o documento, “a evolução da matriz elétrica brasileira demonstra a capacidade do país de conciliar segurança energética, competitividade e sustentabilidade”.
Grande parte desse resultado se deve ao elevado uso de fontes renováveis na matriz elétrica nacional. Em 2024, quase 90% da eletricidade gerada no Brasil veio de hidrelétricas, energia eólica, solar e gás natural. Essa diversificação fortalece a segurança energética e reduz a dependência de combustíveis fósseis.
Além disso, ao considerar a matriz energética de forma mais ampla — incluindo transporte, indústria e outros setores — as fontes renováveis representaram 50% do total. Esse é o maior índice desde 1990 e evidencia o compromisso brasileiro em consolidar uma economia de baixo carbono. Conforme destaca o BEN, “os dados reafirmam o papel estratégico do Brasil na transição energética global”.
Esse desempenho ganha ainda mais relevância diante do cenário internacional. Muitos países desenvolvidos, embora tenham avançado em investimentos em energia limpa, ainda enfrentam desafios para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Brasil, por outro lado, consegue se posicionar como exemplo, mostrando que é possível crescer economicamente e ao mesmo tempo manter uma matriz mais sustentável. A geração eólica, por exemplo, continua a expandir sua participação de forma acelerada, enquanto a energia solar se consolida como um dos segmentos que mais crescem dentro do setor elétrico.
O BEN, elaborado anualmente desde 2004 pela EPE, apresenta um retrato detalhado do setor energético brasileiro, reunindo estatísticas que contemplam desde a extração de recursos primários até a conversão em formas secundárias, importação, exportação, distribuição e consumo final.
A edição de 2025, com dados consolidados de 2024, reforça a trajetória de longo prazo do Brasil rumo a um sistema energético cada vez mais limpo. Ao mesmo tempo, evidencia desafios relacionados à manutenção desse padrão diante do crescimento da demanda e das pressões globais por descarbonização.
No contexto de mudanças climáticas e transição energética, os resultados do Brasil no último ano indicam que o país possui vantagens naturais e estratégicas. Essas qualidades podem colocá-lo na liderança de uma economia global mais sustentável. Segundo o relatório, “o compromisso com fontes renováveis e a contínua redução da intensidade de carbono são diferenciais que projetam o Brasil como referência mundial em energia limpa”.
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