Sete em cada dez profissionais de RH usam IA e mais da metade das empresas já aplicam tecnologia em recrutamento
Por Bárbara Souza
O uso da inteligência artificial (IA) em Recursos Humanos já se consolidou no Brasil. Segundo uma pesquisa da plataforma de gestão de pessoas Sólides, em parceria com a Offerwise, sete em cada dez profissionais de RH usam a tecnologia no dia a dia. Além disso, o estudo aponta que 55% das empresas já incorporaram a IA nos processos de recrutamento, mostrando o avanço da digitalização na gestão de pessoas.
O levantamento, realizado em abril deste ano com 400 profissionais de empresas de diferentes portes, revela detalhes da adoção da tecnologia. Do total de entrevistados, 36% afirmam usar a IA regularmente, enquanto 33% a utilizam ocasionalmente, mas demonstram interesse em ampliar o uso.
Por outro lado, 32% ainda não adotam a tecnologia, embora 21% desse grupo desejem começar. Entre os que resistem, os principais motivos são a percepção de que a IA não é relevante para suas funções e o medo de impactos negativos, como substituição de tarefas ou até funções inteiras.
Entre os que já usam a IA, 80% relatam ganhos reais nos processos de gestão de pessoas. Para 46%, a principal vantagem é a facilidade na execução de tarefas, permitindo mais agilidade em rotinas antes burocráticas. Além disso, 34% reconhecem benefícios, mas destacam que a incorporação da IA exige adaptações para garantir resultados consistentes.
Esse movimento reflete uma tendência mais ampla no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com um estudo global do grupo Adecco, 76% dos profissionais no Brasil já usam ferramentas de inteligência artificial generativa em suas funções. Vale destacar que esse percentual é superior à média mundial, que é de 70%. Os dados mostram que o país tem se mostrado receptivo à adoção da tecnologia, embora a implementação ainda varie entre os setores.
Análise
Apesar do otimismo, é importante garantir que a IA seja aplicada de maneira estratégica e ética, sobretudo em áreas sensíveis como o recrutamento. Um alerta importante vem do próprio levantamento da Sólides, que mostra que 33% dos profissionais já afirmaram ter sofrido algum tipo de discriminação em processos seletivos. Os fatores mais citados incluem idade, classe social e padrões estéticos, o que indica que o avanço tecnológico precisa estar acompanhado de práticas que assegurem diversidade e inclusão.
Diante desse cenário, o consenso aponta que a inteligência artificial deve ser vista como aliada, e não como substituta. Além disso, sua efetividade depende da capacidade das empresas de integrar a tecnologia às demandas reais do RH. Ao mesmo tempo, é essencial capacitar os profissionais e preservar valores fundamentais, como transparência e equidade. Portanto, o futuro do setor tende a ser moldado pela combinação entre inovação tecnológica e gestão humanizada.
Foto: Pexels
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