Semana de Economia Brasileira resgata avanços dos últimos 40 anos

Semana de Economia Brasileira resgata avanços dos últimos 40 anos

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

A 1ª Semana da Economia Brasileira reúne, no Rio de Janeiro, a partir desta segunda-feira (1º), acadêmicos e economistas para debater os principais avanços que marcaram os últimos 40 anos da economia do país após a retomada da democracia. Nesse contexto, o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nelson Barbosa, abriu o evento.

Durante a abertura, Barbosa destacou a importância de uma análise de longo prazo. “Se você ficar focado só no curto prazo, deixa de olhar, principalmente, os avanços que temos feito nos últimos 40 anos”, afirmou.

Ao longo da semana, que se estende até o próximo dia 5, especialistas discutem os principais ciclos econômicos registrados no país desde 1983. Entre os temas abordados estão, por exemplo, a crise da dívida externa e o período de alta inflação, a fase de estabilização marcada por crises cambiais, os momentos de crescimento com distribuição de renda e, mais recentemente, a crise interna acompanhada de estagnação econômica.

Barbosa destacou, inicialmente, que a semana de comemoração é a primeira de uma série de iniciativas semelhantes que ainda devem ocorrer. Nesse sentido, a proposta do evento surgiu a partir de um trabalho que o banco de fomento já vinha desenvolvendo desde a posse do atual presidente, Aloizio Mercadante. “A ideia é recuperar o papel do BNDES na promoção do debate sobre a política econômica brasileira”, afirmou.

Ao longo da programação da manhã, por sua vez, os participantes relembraram diferentes momentos da trajetória econômica do país. Entre os pontos abordados estiveram as crises e os processos de recuperação, bem como o período em que o Brasil se consolidou como foco de crescimento. Além disso, entraram em destaque temas como a redução da pobreza, a integração ao mercado de trabalho e a geração de empregos.

O Brasil conseguiu estabilizar e fazer a evolução, disse Barbosa. Conseguimos reduzir a pobreza, criar o sistema de saúde pública universal, em um país de mais de 100 milhões de habitantes. Temos uma rede de transferência de renda que ajuda no combate à pobreza e nos períodos de crise, como na pandemia de covid-19. E hoje estamos no debate tradicional de todas as democracias, que é o debate fiscal”.

Desasfios

Barbosa comentou, inicialmente, a importância da discussão neste momento. Segundo ele, o país segue vivendo grandes transformações, o que exige reflexão não apenas a partir de novas formulações, mas, sobretudo, de conceitos sólidos. Nesse contexto, ele avalia que é fundamental ter capacidade de construir consensos no sentido institucional mais tradicional, capazes de suportar choques e períodos de instabilidade.

Para o diretor, isso se torna ainda mais relevante diante dos desafios atuais. Afinal, o Brasil figura entre os países mais desenvolvidos do mundo. No entanto, em uma economia marcada por elevados níveis de desigualdade, a solução mais evidente para reequilibrar o orçamento passa por uma política tributária progressista.

Além disso, Barbosa citou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ao reforçar a ideia de que o desenvolvimento brasileiro precisa alcançar toda a população. “Não é para 30%, não é para uma minoria, tem que ser para todos. Precisamos superar o desafio de crescer com inclusão”, afirmou.

Disse ainda que, em bases muito melhores do que há 40 anos, “muito se avançou nos indicadores sociais, na diversidade”.

“Não só abrimos mais universidades, mas também abrimos as portas das universidades na hora da formação das mulheres E temos novos desafios do século 21.”

A mudança climática desponta como um dos principais desafios da atualidade e, nesse sentido, não pode ser enfrentada sem a atuação do poder público. “O risco é muito grande, o investimento é elevado e o tempo necessário é longo”, afirmou. Diante desse cenário, ele ressaltou a urgência de avançar na transição energética e reforçou a importância da preservação ambiental. Para os próximos anos, destacou ainda a necessidade de reconstruir as florestas como parte central dessa estratégia.

Além disso, outro grande desafio deste século, segundo ele, é o demográfico. Em sua avaliação, as pessoas estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida, enquanto a produtividade continua em trajetória de alta. Assim, torna-se possível sustentar uma população crescente, desde que haja foco na elevação do padrão de vida. No entanto, esse movimento também impõe a necessidade de repensar políticas estruturais. “Isso exige revisar nossos sistemas de previdência, educação e saúde. E, sem dúvida, é um desafio que tende a se tornar cada vez maior”, concluiu.

Além da parte financeira, Nelson Barbosa vê uma transformação tecnológica crescente no Brasil, que nunca parou de olhar para a evolução industrial.

“Com novas tecnologias de inteligência artificial mudando a realidade da nossa vida, é preciso gerar emprego de qualidade. É a empregabilidade que faz milhões de pessoas. Essas mudanças estão ocorrendo em todos os países. E temos que saber como o Brasil vai se inserir nessa nova tecnologia, nessa nova divisão de trabalho, nessa nova forma de organização da economia internacional.”

 Segundo Barbosa, o debate aberto e transparente sobre a economia, com os custos e benefícios de cada alternativa, pode ajudar na tomada de decisões. “Tudo na vida tem risco, inclusive não fazer nada. Precisamos discutir quais são os desafios e, principalmente, ouvir os professores, os pesquisadores”, concluiu.

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

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