Seguro fiança locatícia cresce com avanço do aluguel e se consolida como alternativa às garantias tradicionais

Seguro fiança locatícia cresce com avanço do aluguel e se consolida como alternativa às garantias tradicionais

Por Bárbara Souza 

O aumento do número de brasileiros que optam por morar de aluguel vem remodelando o mercado imobiliário e impulsionando produtos financeiros ligados à locação residencial. Em um cenário marcado por juros elevados, crédito mais restrito e maior mobilidade profissional, a compra do imóvel próprio deixou de ser prioridade imediata para uma parcela crescente da população. Como consequência direta desse movimento, o seguro fiança locatícia ganhou espaço e se consolidou como uma das principais garantias nos contratos de aluguel no Brasil.

Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com o Grupo Brain, indicam que cerca de uma em cada cinco pessoas vive de aluguel no país. O levantamento, realizado em novembro de 2025, aponta um avanço significativo desse modelo habitacional ao longo da última década, com crescimento superior a 25% entre 2010 e 2022. A tendência também aparece nas estatísticas oficiais. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros vivendo em imóveis alugados aumentou 45,4% nos últimos oito anos, de acordo com dados divulgados em agosto de 2025. E a maior parte deles, são um pouco mais jovens. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com o Grupo Brain, 80% das pessoas entre 25 e 39 anos consideram a locação uma boa opção de moradia, e logo, bons candidatos a escolherem o seguro fiança locatícia.

É nesse contexto que esse tipo de seguro se fortalece como alternativa às garantias tradicionais. O produto funciona como uma proteção contratual para o proprietário do imóvel, substituindo modalidades como fiador ou depósito caução. Na prática, o inquilino contrata uma apólice junto a uma seguradora, que assume o compromisso de cobrir eventuais inadimplências, incluindo aluguéis em atraso, encargos e, em alguns casos, danos ao imóvel, conforme previsto no contrato de locação.

Seguro fiança locatícia em números

O avanço do aluguel no Brasil tem impacto direto no desempenho do seguro fiança. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o produto registrou um crescimento próximo de R$ 100 milhões em prêmios emitidos ao longo de 2025, refletindo a maior adesão de inquilinos e proprietários e a mudança no perfil das garantias locatícias no país.

Para o proprietário, o principal benefício do seguro fiança é a redução do risco financeiro e a maior previsibilidade no recebimento dos valores do aluguel. Já para o inquilino, a modalidade elimina a necessidade de encontrar um fiador ou de imobilizar recursos em depósitos antecipados, o que facilita o acesso à moradia, especialmente em grandes centros urbanos. Além disso, o processo costuma ser mais ágil, com análise de crédito padronizada e contratação integrada às imobiliárias ou plataformas digitais.

A contratação do seguro fiança locatícia segue etapas bem definidas. O interessado apresenta informações financeiras, como renda comprovada e histórico de crédito, para avaliação da seguradora. Após a aprovação, é definido o valor do prêmio, geralmente calculado como um percentual do aluguel anual. O pagamento pode ser feito à vista ou de forma parcelada, conforme a política da empresa. Com a formalização, a apólice passa a vigorar simultaneamente ao contrato de aluguel.

Com a tendência de crescimento do aluguel no Brasil, impulsionada por fatores econômicos e comportamentais, o seguro fiança locatícia tende a ocupar um papel cada vez mais central no mercado imobiliário. Mais do que uma alternativa às garantias tradicionais, o produto se apresenta como uma resposta estruturada a um novo perfil de morador, que valoriza flexibilidade, segurança jurídica e menor burocracia nas relações de locação.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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