Seguradoras aceleram investimentos em inteligência artificial e projetam dobrar aportes até 2030

Seguradoras aceleram investimentos em inteligência artificial e projetam dobrar aportes até 2030

Por Bárbara Souza

O setor de seguros atravessa uma transformação impulsionada pela inteligência artificial (IA). Segundo o relatório “AI in Insurance: Overhyped Trend or Game-Changer?”, divulgado pela Wipro, uma multinacional de tecnologia e consultoria, as seguradoras estão ampliando rapidamente seus investimentos em IA, e a tendência é de que os aportes dobrem até 2030. A pesquisa, realizada com 100 executivos de seguradoras norte-americanas com receitas superiores a US$ 500 milhões, revela que a tecnologia deixou de ser apenas uma promessa futurista para se consolidar como um pilar estratégico de competitividade e eficiência operacional.

Os números refletem esse movimento. De acordo com o estudo, 81% das empresas do setor pretendem aumentar seus investimentos em inteligência artificial já no próximo ano. Atualmente, a fatia média do orçamento destinada à tecnologia é de 8%, mas deve chegar a 20% em um horizonte de cinco anos, segundo a pesquisa. Esse salto expressivo indica uma mudança de mentalidade nas organizações, que passam a enxergar a IA não apenas como ferramenta de automação, mas como motor de inovação e base para novas experiências do cliente.

Entre as aplicações mais recorrentes dessa tecnologia em específico estão a personalização de produtos, o aprimoramento da subscrição e a análise de riscos. O levantamento aponta que 92% dos executivos acreditam que a tecnologia é essencial para melhorar a experiência do consumidor, enquanto 68% esperam ganhos significativos na precisão da avaliação de riscos. Já 62% veem na IA uma oportunidade para aumentar a retenção de clientes, em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por dados.

O uso mais avançado da IA já aparece em áreas operacionais: quase metade das seguradoras (46%) declarou aplicar algoritmos inteligentes em processos de subscrição. No entanto, os desafios ainda são expressivos. A integração da IA a sistemas legados é considerada um obstáculo por 71% das companhias, enquanto 44% das seguradoras de menor porte não possuem políticas formais para o uso da tecnologia. Essa falta de governança pode gerar riscos de conformidade e impactar a reputação das empresas.

Para contornar essas barreiras, 65% das seguradoras estão optando por implementar a IA de forma gradual, priorizando áreas de impacto imediato. “Nos EUA, temos observado que a integração da IA com sistemas legados é um dos maiores desafios. O mesmo ocorre no Brasil. As empresas brasileiras podem aprender com essa experiência, adotando uma abordagem progressiva e fortalecendo a colaboração entre especialistas em IA e subscritores”, afirma Wagner Jesus, Country Head da Wipro no Brasil.

A pesquisa também destaca a importância do fator humano na jornada tecnológica. Cerca de 47% das seguradoras estão investindo na formação e contratação de profissionais especializados em IA, enquanto 41% apostam na integração entre equipes técnicas e de negócios. Para Ritesh Talapatra, vice-presidente e líder de setor de Mercados de Capitais e Seguros da Wipro, o recado é claro: “A adoção de IA não é mais uma opção, é um requisito para o sucesso futuro. As companhias que priorizarem resultados rápidos, fortalecerem a governança e alinharem a tecnologia aos seus objetivos estratégicos estarão mais bem preparadas para liderar essa nova era”.

Foto: Pexels

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