SB COP: da mobilização do setor privado à demonstração de soluções climáticas globais
Por Bárbara Souza
Em um dos temas centrais da COP30, realizada em Belém este ano, a presença do setor privado ganhou novos contornos por meio da Sustainable Business COP (SB COP). A iniciativa é composta por quase 40 milhões de empresas. Lançada no início de 2025 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi estruturada para criar um canal para que empresas contribuíssem estrategicamente com propostas e experiências em prol do meio ambiente.
A ideia é aproximar o setor de uma demanda urgente, ao invés de ser visto como um inimigo do meio ambiente. Por isso, um conjunto de iniciativas reais e replicáveis de combate às mudanças climáticas foi apresentado pelo grupo. Ao todo, 48 cases globais foram selecionados de um universo de mais de 670 propostas enviadas por empresas e coletivos do setor privado ao longo do ano.
Os cases continham temas como descarbonização, transição energética, cidades sustentáveis, bioeconomia e soluções baseadas na natureza.Entre os casos exibidos, chama atenção o exemplo da Suzano, cuja tecnologia de gaseificação de biomassa na indústria de celulose foi reconhecida por organizações globais por reduzir em quase 100% o consumo de combustível fóssil e diminuir substancialmente emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que entrega ganhos econômicos expressivos.
A SB COP também entregou ao presidente da COP30 um documento com 23 prioridades voltadas para acelerar a descarbonização global e fortalecer a atuação empresarial nas negociações climáticas. Entre as propostas está a meta de triplicar a capacidade instalada de energia renovável até 2030 e promover maior alinhamento dos mercados de carbono no mundo, reforçando que a cooperação entre público e privado é essencial para transformar compromissos em ações.
Os números mais recentes sobre financiamento climático indicam um cenário de avanços importantes e desafios persistentes no Brasil. Dados de 2025 da Climate Policy Initiative mostram que o financiamento climático internacional para o país cresceu 84 % entre 2021 e 2022 em comparação com o biênio anterior, atingindo uma média anual de cerca de R$ 26,6 bilhões, ou seja, quase três vezes acima da média global no mesmo período.
Projetos de energia renovável também movimentaram valores significativos: aproximadamente R$ 90 bilhões em parques solares, R$ 20 bilhões em etanol de milho, R$ 9 bilhões em biodiesel e R$ 1 bilhão em biometano e etanol de segunda geração foram direcionados nos últimos dois anos. Esses investimentos demonstram que, além de ideias, existe fluxo financeiro e capacidade tecnológica para a transição climática.
Assim, o grupo liderado pela indústria brasileira mas com participação internacional do setor, se torna um marco da integração da economia com a luta contra as mudanças climáticas.
Foto: Rafa Neddermeyer/ COP30 Brasil Amazônia/ PR
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