Saiba o que o seguro do cartão de crédito realmente cobre, e os riscos de confiar apenas nele
Por Bárbara Souza
Viajar envolve prazer, descobertas e descanso, mas também expõe o viajante a imprevistos que podem custar caro. Muitas pessoas acreditam que os seguros embutidos nos cartões de crédito bastam para qualquer situação internacional, mas essa crença pode trazer surpresas desagradáveis. Informações de mercado, normas internacionais e experiências práticas mostram que esse benefício tem várias lacunas que merecem atenção.
Em primeiro lugar, é importante entender que nem todo cartão de crédito oferece seguro-viagem, e entre os que oferecem, há uma grande variação de cobertura. Benefícios como seguro gratuito costumam estar restritos a cartões de categoria elevada, como gold, platinum, black, infinite etc., e dependem de condições específicas, como o uso do cartão para compra de passagem aérea ou pagamento de determinados encargos.
Um dos pontos mais críticos é o valor da proteção médica inclusa. No acordo internacional mais conhecido na Europa, o Tratado de Schengen, por exemplo, a exigência mínima para entrada é de € 30.000 em despesas médicas e hospitalares.Muitos seguros de cartão ficam abaixo desse patamar ou cobrem valores significativamente menores em determinados casos.
Além do valor, o que está coberto faz diferença: normalmente, a proteção do cartão aborda emergências médicas agudas, hospitalização de urgência, e possivelmente repatriação sanitária, mas deixa de fora uma série de situações consideradas comuns ou de risco aumentado. Entre essas lacunas, estão cobertura para esportes radicais, tratamentos odontológicos fora de emergência, doenças preexistentes, gestantes ou necessidades especiais. Extravio ou atraso de bagagem, cancelamento ou atraso de voo raramente são contemplados de forma ampla.
Outro problema prático: muitos cartões exigem que a passagem aérea seja comprada com o cartão que oferece o seguro, ou ao menos que algumas taxas sejam pagas por ele, para que a cobertura seja válida. Se você comprou o bilhete por meio de terceiros, de operadoras de viagem ou usou milhas sem pagar taxas com esse cartão, pode estar fora da cobertura.
Em termos de exigências legais, viajantes para o Espaço Schengen (Europa) frequentemente descobrem que o seguro do cartão de crédito não satisfaz os requisitos de imigração. Em muitos casos, apenas um seguro viagem contratado de forma independente, que forneça prova documental adequada, é aceito.
Apesar dessas limitações, há situações em que o seguro do cartão pode ser útil — em viagens curtas, destinos domésticos ou para quem tem perfil de baixo risco (sem problemas de saúde complicados, sem prática de esportes radicais, etc.). Nessas circunstâncias, pode funcionar como complemento ou “plano B”. Mas confiar unicamente nele sem analisar cada cláusula pode resultar em gastos inesperados e prejuízos, especialmente quando uma emergência requer atendimento de alto custo.
Portanto, antes de embarcar, é aconselhável: ler atentamente o contrato ou o guia de benefícios do cartão, verificar se coberturas obrigatórias para o destino estão contempladas (como no caso do Schengen), confirmar valor máximo de cobertura médica, e considerar contratar seguro de viagem específico se perceber que as lacunas existentes são relevantes para o seu perfil ou destino.
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