Rishi Sunak e Liz Truss vão disputar sucessão de Boris como premiê do Reino Unido

Rishi Sunak e Liz Truss vão disputar sucessão de Boris como premiê do Reino Unido

A corrida para suceder o premiê Boris Johnson se afunilou nesta quarta-feira (20), com a escolha pelo Partido Conservador dos dois finalistas. Dos 11 concorrentes iniciais, permaneceram na disputa o ex-titular da pasta de Finanças Rishi Sunak e a atual secretária das Relações Exteriores, Liz Truss.

Na quinta rodada de votações, Sunak obteve 137 votos, seguido por Truss, com 113, pouco à frente da ex-secretária de Defesa Penny Mordaunt, com 105. De certa forma, o resultado surpreende, porque Mordaunt aparecia em vantagem em pesquisas de intenção de voto em relação a Truss na corrida pela sucessão.

Boris anunciou no início de julho que deixará o cargo, pressionado por uma série de escândalos e pela renúncia coletiva de membros de seu governo. O premiê, contudo, ficará no posto até que um substituto seja escolhido, o que está previsto para ocorrer em setembro, de acordo com o calendário do partido.
Saiba quem são os finalistas.

RISHI SUNAK

Ex-secretário das Finanças elogiado por lançar um pacote de resgate econômico para combater a crise causada pela pandemia de Covid, Sunak é o favorito para suceder Boris -atualmente, tem o maior apoio entre os deputados do Partido Conservador. Sua popularidade na sigla não parece ter sido abalada pelo fato de sua renúncia, há algumas semanas, ter impulsionado a queda do ex-premiê.

Caso eleito, o ex-analista do banco Goldman Sachs prometeu cortar impostos tão logo a inflação de 9,1% registrada em maio seja controlada. “É uma questão de quando, não se”, disse ele, tocando num dos pontos mais sensíveis para os britânicos -a alta de preços é a maior dos últimos 40 anos. Quando era secretário, uma das críticas que recebeu foi ter feito pouco para controlar o aumento do custo de vida.

Sunak, 42, foi o primeiro hindu a ocupar um cargo de secretário, posição à qual ascendeu em 2015. Contudo, apesar de se dizer orgulhoso por ser filho de imigrantes -o pai, Yashvir, nasceu no Quênia, e a mãe, Usha Sunak, na Tanzânia-, ele defende uma política dura para as fronteiras do Reino Unido, com a manutenção do plano de Boris de deportar para Ruanda imigrantes sem documento que chegam à ilha.

“Precisamos construir um novo consenso sobre as pessoas que vêm ao nosso país. Sim a trabalhadores talentosos e inovadores, mas, com controle das nossas fronteiras”, disse ele em um discurso de campanha. Mudar a lei imigratória, afirmou, foi um dos motivos que o levou a apoiar o brexit em 2016.

Milionário, Sunak é casado com a herdeira de um magnata indiano, Akshata Murty, que sofreu escrutínio público por ter um status fiscal vantajoso que lhe permitia evitar o pagamento de milhões em impostos no Reino Unido. Ela acabou anunciando que pagaria taxas sobre ganhos no exterior para aliviar a pressão.

Os trabalhistas aproveitaram a brecha e questionaram se ele já havia se beneficiado do uso de paraísos fiscais. O jornal Independent publicou um relatório no qual Sunak foi listado como beneficiário de fundos nas Ilhas Virgens Britânicas e nas Ilhas Cayman. Um porta-voz dele disse desconhecer as alegações.

LIZ TRUSS

Apelidada por apoiadores de “a nova dama de ferro”, em referência à ex-primeira-ministra Margaret Thatcher, Truss, 46, é vista como a candidata da continuidade, devido à sua lealdade a Boris.

A secretária das Relações Exteriores faz parte da ala mais à direita dos conservadores, ideologia que adotou enquanto cursava política, filosofia e economia na Universidade Oxford. Antes, porém, Truss teve um flerte com os liberais democratas, por influência de seus pais, ambos filiados ao Partido Trabalhista.

Ela lançou sua candidatura para suceder o atual primeiro-ministro prometendo colocar a economia britânica em trajetória ascendente até as próximas eleições, em 2024. “Eu começaria a cortar impostos desde o primeiro dia para ajudar as pessoas a lidar com o custo de vida. Não é certo aumentar os impostos agora”, escreveu ela em artigo no jornal Telegraph.

As medidas incluiriam reverter um aumento nas contribuições previdenciárias que entraram em vigor em abril e não elevar impostos sobre empresas, o que seria essencial, diz ela, para atrair investimentos.

No Parlamento desde 2010, Truss fez parte do gabinete que aprovou o criticado projeto de enviar imigrantes sem documentos para Ruanda, mas não comentou publicamente a decisão desde que lançou a candidatura a primeira-ministra. Ela votou contra o brexit, mas logo disse que havia mudado de ideia.

Ainda nesta seara, Truss apresentou uma legislação ao Parlamento para substituir unilateralmente algumas regras comerciais pós-brexit com a Irlanda do Norte, uma postura política que ela deve seguir e que aprofundou as tensões entre os dois lados. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia de Vladimir Putin, seu papel ganhou proeminência internacional. Ela defende que as sanções econômicas impostas contra Moscou devem permanecer até que as forças russas se retirem completamente.

(Folhapress/ Foto: Folhapress)

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