Rio sedia 1ª Cúpula Popular do Brics para debater Sul Global
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
A 1ª Cúpula Popular do Brics começou nesta segunda-feira (1º), no Armazém da Utopia, no centro do Rio de Janeiro. Criado para aproximar os movimentos sociais do Brics, o evento reúne representantes do bloco, formado por 11 países de mercados emergentes. Nesse contexto, a iniciativa busca fortalecer o diálogo entre a sociedade civil e as instâncias decisórias do grupo.
O principal objetivo é ampliar a participação popular na construção de propostas voltadas à cooperação do Sul Global. Ao longo da programação, os participantes discutem temas como cooperação econômica e multilateralismo. Além disso, a pauta inclui a consolidação de um mundo multipolar, a reconfiguração da geopolítica global e os desafios da governança internacional. O encontro também aborda o papel estratégico do Brics e a redução da dependência do dólar nas transações internacionais e na formação de reservas financeiras dos países emergentes.
O Conselho Civil Popular do Brics surgiu em 2024, durante a Cúpula do Brics realizada em Kazan, na Rússia. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o diálogo entre representantes da sociedade civil e os governos dos países que integram o bloco.
Segundo a organização, o conselho representa um marco na consolidação da participação da sociedade organizada nos debates do Brics. Além disso, o espaço busca ampliar a presença de movimentos populares, estudantes, professores e organizações não governamentais nas pautas estratégicas do grupo.
Este evento marca, portanto, o último grande encontro promovido pelo Brics sob a presidência do Brasil. A partir do próximo ano, a Índia assume o comando do bloco, dando início a uma nova fase na condução da agenda internacional.
Em vídeo enviado para a abertura do evento, a ex-presidenta do Brasil e atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, Dilma Rousseff, afirmou que a primeira cúpula consagra a participação da sociedade civil organizada na construção da cooperação do Sul Global.
Segundo Dilma, pela primeira vez os povos dos países que integram o Brics passam a contar com um canal permanente de diálogo com os governos e com as instâncias decisórias do bloco.
Na mesma linha, João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante do Conselho Civil do Brics no Brasil, afirmou que a cúpula vai formalizar o funcionamento permanente do conselho. Segundo ele, a iniciativa busca definir um modus operandi a ser repassado à Índia, que assumirá a presidência do bloco no próximo ano.
“Os governos sabem que, sem a mobilização da sociedade civil, para alguns temas não tem como resolver, como a defesa da natureza, a construção de moradia popular. Vamos analisar temas da geopolítica mundial, mas também vamos nos dedicar a temas que a sociedade civil pode ajudar a resolver”, disse Stedile.
Os países que integram o bloco lideram a produção global de grãos, carnes, fertilizantes e fibras e respondem por cerca de 70% da produção agrícola mundial. Além disso, concentram mais da metade da agricultura familiar do planeta, responsável por aproximadamente 80% do valor da produção global de alimentos. Diante desse cenário, os organizadores avaliam que essa posição estratégica amplia a responsabilidade do bloco na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e equitativos, temas que o Conselho Popular do Brics pretende incorporar às discussões.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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