Relatórios de sustentabilidade: transparência e padronização como chave para a credibilidade empresarial
Por Bárbara Souza
Os relatórios de sustentabilidade se consolidaram como ferramentas fundamentais para empresas que buscam credibilidade junto a investidores, clientes e sociedade. Para Flávia Targa Martins, engenheira agrônoma e mestre em fitotecnia, um documento eficaz precisa combinar metas claras, indicadores mensuráveis e uma comunicação objetiva, de acordo com cada uma das letras da sigla ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança).
“Um relatório de sustentabilidade precisa ter metas bem estabelecidas, indicadores que sejam condizentes e passíveis de serem mensurados para a verificação das metas e uma linguagem clara e objetiva. Precisa versar sobre questões relacionadas à gestão de água, energia, resíduos no pilar E, de políticas de gênero, diversidade e inclusão no pilar S e questões de clareza empresarial, visão, valores e metas no pilar G”, diz Flávia que também é Coordenadora das Engenharias do Campus UVA Cabo Frio e como Coordenadora de Planejamento, Controle e Processo do Campus Cabo Frio.
A especialista ressalta que a transparência é o que garante a permanência da empresa no mercado e a fidelidade de seus parceiros. “Clientes e investidores (stakeholders) só irão querer estar associados a empresas que sejam transparentes na apresentação dos seus dados, que seus dados, resultados e metas sejam muito bem delineados e muito bem estabelecidos e que esteja bem claro nas apresentações dos dados. Caso isso não ocorra, a possibilidade de saída de investidores e perdas na carteira de clientes é bem grande. E a sociedade presente no entorno daquela empresa que não seja transparente na apresentação dos seus dados, tende a evitar os produtos da empresa, levando a grande perda de sustentabilidade financeira e encurtando a vida útil da empresa no mercado”, afirma.
Essa leitura dialoga com pesquisas recentes que mostram como a confiança do consumidor e do investidor depende cada vez mais da prestação de contas e da clareza nas informações de impacto socioambiental.
Outro ponto enfatizado por Flávia é o uso de padrões internacionais para estruturar os relatórios. “Frameworks são extremamente relevantes para a sustentabilidade empresarial, pois mexem com padronização, fazendo ser possível a comparação entre empresas, uma gestão de riscos mais eficiente. Também fornece uma maior transparência e credibilidade, atraindo um maior capital da parte dos investidores”, diz.
No Brasil, as diretrizes mais conhecidas são justamente aquelas apontadas por Flávia. “As 3 mais usadas: 1- Global Reporting Initiative (GRI), que é um conjunto de padrões que fornecem diretrizes para elaboração de relatórios de sustentabilidade; 2- Sustainability Accounting Standards Board (SASB), que associa tópicos do ESG que sejam relevantes para o desempenho financeiro das empresas; e 3- Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), um framework mais recente, que trabalha com riscos financeiros e oportunidades, relacionados a mudanças climáticas”, explica.
Essas práticas vêm sendo incorporadas de forma crescente pelas companhias brasileiras. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou recentemente normas para alinhar o mercado nacional às diretrizes do International Sustainability Standards Board (ISSB), tornando o Brasil um dos primeiros países a avançar nessa agenda (cvm.gov.br).
Por fim, Flávia chama atenção para a necessidade de evitar que os relatórios se tornem apenas peças publicitárias, sem ligação real com as práticas da empresa. “Com cobrança e vigilância desses relatórios, da parte dos stakeholders, e com metas, indicadores, prazos para cumprir metas e afins, muito bem claros, transparentes e mensuráveis, para que possam ser cobrados pelos stakeholders e a sociedade na qual a empresa está inserida”, afirma.
Ao enfatizar clareza, padronização e responsabilidade, Flávia Targa Martins destaca que relatórios de sustentabilidade bem estruturados não são apenas instrumentos de gestão, mas também diferenciais competitivos para empresas que desejam se manter relevantes em um mercado cada vez mais atento às questões ambientais, sociais e de governança.
Foto: Pexels
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