Real valorizado frente ao dólar alivia pressão da Selic alta no Brasil, mostra estudo do BIS
Por Aline Bronzati, correspondente – Estadão Conteúdo
A valorização do real frente ao dólar tem ajudado a aliviar parte da pressão do aperto monetário no Brasil, provocado pelo ciclo de alta da Selic, segundo estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) publicado nesta segunda-feira (29). Esse movimento ocorre em um contexto de fraqueza da moeda norte-americana, influenciada por novas medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Como resultado, o cenário tem favorecido, de forma mais ampla, as moedas latino-americanas ao longo deste ano, avalia o chamado “pai dos bancos centrais”.
A análise do BIS se apoia em um Índice de Condições Financeiras (FCI) calculado para Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru no período entre janeiro e julho de 2025. O indicador reúne variáveis como taxa de câmbio, curva de juros e prêmios de risco. A partir dessa combinação, o índice busca mensurar tanto o custo quanto a disponibilidade de financiamento para famílias, empresas e governos, oferecendo uma leitura mais abrangente das condições financeiras na região.
“Talvez o achado mais notável seja que fatores estrangeiros e globais, como a valorização das moedas locais ante o dólar ou a própria fraqueza da divisa norte-americana, afrouxam as condições financeiras na América Latina”, dizem os autores do estudo, que incluem os brasileiros Eduardo Amaral e Alexandre Tombini, além de Rafael Guerra e Ilhyock Shim.
Segundo ele, “o afrouxamento monetário tende a aliviar essas condições, impulsionando o crescimento no curto prazo”. Essa dinâmica ficou mais clara nos países onde os bancos centrais já iniciaram cortes de juros, como Chile, México e Peru, afirmam.
“Em contraste, os aumentos na taxa de política monetária no Brasil contribuíram para condições financeiras mais apertadas entre janeiro e julho deste ano, mas as quedas nas taxas de médio e longo prazo ajudaram a afrouxar as condições financeiras”, observam Amaral, Tombini, Guerra e Shim, no estudo.
Mais sobre o estudo
O dólar acumula desvalorização de quase 14% frente ao real no acumulado deste ano. Além disso, o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, projeta a cotação da moeda americana em R$ 5,48 ao fim de 2025, abaixo dos R$ 5,50 estimados na pesquisa anterior. Há um mês, a expectativa era ainda mais elevada, em R$ 5,56, o que reforça a revisão gradual para baixo nas projeções de câmbio.
O estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) também compara as metodologias dos Índices de Condições Financeiras (FCIs) usadas por bancos centrais e instituições privadas. Segundo os autores, esses indicadores podem divergir e, assim, enviar sinais diferentes ao mercado.
Como exemplo, o trabalho destaca o contraste observado durante a pandemia de covid-19 entre os índices oficiais do Brasil e do México e o FCI do Goldman Sachs. Enquanto as métricas locais apontavam forte aperto, influenciado sobretudo pela depreciação cambial, o banco americano identificava um cenário de afrouxamento das condições financeiras.
De acordo com os autores, os FCIs funcionam como uma régua específica para calibrar o ritmo dos ajustes na taxa de juros. Nesse sentido, oferecem aos formuladores de política monetária sinais quase imediatos sobre a forma como o mercado reage às decisões adotadas. Quando o indicador se aperta de maneira abrupta, por exemplo, o movimento sugere que o banco central pode reduzir o ritmo das altas de juros para evitar choques desnecessários sobre a economia.
Ainda assim, o estudo aponta limitações relevantes. Os FCIs não mostram se as mudanças vêm do lado da oferta ou da demanda de crédito. Por isso, os autores defendem o uso combinado desses índices com outras métricas de risco.
Mesmo com essa ressalva, a análise conclui que os FCIs oferecem um retrato claro da transmissão da política monetária para as condições financeiras. Dessa forma, tornam-se uma ferramenta importante para que os bancos centrais da América Latina administrem os efeitos de choques externos e preservem a estabilidade econômica.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
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