“Preço e celeridade são os principais fatores”, diz especialista sobre crescimento das insurtechs no Brasil

Startups de seguros ganham espaço com agilidade, preços acessíveis e parcerias com corretores, mas ainda enfrentam desafios como desconfiança e regulação
Por Bárbara Souza – Redação
O mercado de seguros no Brasil está passando por uma transformação impulsionada pelo surgimento de startups, as chamadas insurtechs. De acordo com Paulo Avelar, especialista do setor e responsável pela franquia de uma seguradora, dois fatores têm sido decisivos para esse crescimento: preço e celeridade.
“O primeiro é impulsionado pelo advento das Associações de Proteção Veicular, que, mesmo não regulamentadas pela Susep, elevaram os preços a um patamar mais baixo. E a derradeira, pela velocidade que a tecnologia hoje oferece. Tudo por um aplicativo em seu smartphone, seja para a contratação do seguro ou na realização de um pedido de sinistro”, explica Avelar.
Em 2023 o Brasil tinha 377 startups de insurtech mapeadas, segundo a Distrito Insurtech Report 2023. Dessas, 60% estão em estágio inicial (MVP ou tração inicial), enquanto 15% já são chamadas de scale-ups, ou seja, que crescem de forma acelerada.
Além disso, nesse mesmo ano as insurtechs brasileiras receberam US$ 108 milhões em investimentos, segundo a KPMG. Principalmente a Pier Seguradora, que levantou R$ 270 milhões em 2023.
Inovação e agilidade no atendimento
As insurtechs têm se destacado pela capacidade de oferecer serviços mais ágeis e menos burocráticos. “Com o compromisso de oferecer um seguro fácil, rápido e sem burocracia, as insurtechs regulamentadas pela Susep conseguem reembolsar sinistros de forma ágil, sem papeladas e tudo resolvido pelo app”, afirma o especialista.
Ele destaca ainda que essas startups funcionam como um Sandbox (ambiente de testes regulado) da Susep (Superintendência de Seguros Privados), trazendo inovações que aceleram processos antes lentos no mercado tradicional.
Desafios: desconfiança e regulação
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta obstáculos. Um dos principais é a desconfiança por parte dos consumidores. “O corretor ainda é visto como o ‘médico’ de segurança no ramo de seguros, independente do segmento”, comenta Avelar. Por isso, muitas insurtechs têm buscado parcerias com corretoras para ganhar credibilidade.
Além disso, a regulação da Susep, embora essencial para proteger os consumidores, impõe barreiras financeiras. “Para operar no segmento automotivo, por exemplo, uma seguradora precisa aportar valores significativos em resseguro. E as startups encontram dificuldades nesse montante devido ao capital necessário”, explica.
Futuro do setor
Apesar dos desafios, o cenário é de crescimento. Com tecnologia, preços competitivos e estratégias para conquistar a confiança do público, as insurtechs estão moldando um novo padrão no mercado de seguros brasileiro.
Para Avelar, a chave está no equilíbrio entre inovação e segurança: “A Susep tem um papel fundamental na proteção da população. O desafio é encontrar um caminho que permita às startups crescerem sem abrir mão da solidez financeira exigida pelo setor”.
Enquanto isso, os consumidores seguem se beneficiando de processos mais rápidos, preços mais acessíveis e a conveniência de resolver tudo pelo celular.
O futuro do setor é promissor, ainda mais ao avaliar o cenário mais recente. De acordo com a Forbes, as principais Insurtechs Brasileiras no último ano foram: Pier Seguradora (seguro digital para automóveis); Bidu (corretora digital de seguros); Youse (seguros personalizados) e Mirae Asset Seguros (seguros investimentos).
O que são as insurtechs?
As chamadas insurtechs são startups ou empresas de tecnologia que utilizam inovações digitais para transformar e modernizar o setor de seguros. O termo é uma combinação de “insurance” (seguro) e “tech” (tecnologia), refletindo a aplicação de soluções tecnológicas para melhorar a eficiência, acessibilidade e personalização dos serviços de seguro.
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