O mercado das “usinas de baterias”: quando o armazenamento de energia vira um negócio lucrativo

O mercado das “usinas de baterias”: quando o armazenamento de energia vira um negócio lucrativo

Por Bárbara Souza

No Brasil, a transição energética não se resume apenas à expansão das fontes renováveis como solar e eólica, mas já está ganhando uma nova dimensão comercial: o armazenamento de energia por baterias. Esse negócio, que é muitas vezes descrito como “usinas de baterias”, cresce rapidamente e se consolida como uma das apostas mais promissoras para investidores. De acordo com a consultoria Greener, esse segmento pode atrair até R$ 22,5 bilhões de investimentos até 2030, com a demanda por componentes para sistemas de armazenamento doméstico crescendo 89% em 2024. 

Apesar das oportunidades, o setor ainda convive com desafios: um dos mais relevantes é a carga tributária sobre os sistemas de bateria, que segundo especialistas representa cerca de 79% do custo total desses equipamentos no país. Mesmo assim, empresas brasileiras já estão construindo negócios inteiros em torno dessas soluções. Um exemplo é a Tecnogera, tradicional em locação de geradores, que passou a oferecer sistemas de armazenamento e baterias para indústrias que buscam garantir autonomia e confiabilidade de energia sem depender só da rede elétrica. 

Entre os grandes players, há também empresas que enxergam no armazenamento energético uma nova linha estratégica. A Petrobras, por exemplo, já estuda participar de leilões dedicados a baterias para armazenamento estacionário, com o objetivo de diversificar seu portfólio para além do petróleo. Por outro lado, associações do setor projetam que o Brasil poderia alcançar até 25 GW de capacidade instalada em armazenamento por baterias até 2030, se regulatórios e incentivos acompanharem o ritmo. 

O apelo para investidores é claro: baterias permitem guardar a energia gerada nos momentos de pico de produção, como durante o dia, no caso da solar, e liberá-la quando a demanda sobe, aumentando a eficiência do sistema elétrico e reduzindo custos com térmicas. Segundo a Greener, a confiabilidade é um dos principais motivadores dessa migração, especialmente para consumidores que sofrem com quedas de energia ou interrupções prolongadas. 

Do ponto de vista macroeconômico, o mercado de armazenamento por baterias pode se tornar um canal relevante para capital estrangeiro. Uma consultoria já estimou que o Brasil poderia atrair até US$ 12,5 bilhões por ano para esse setor se houver incentivos adequados.

Enquanto isso, estimativas da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) apontam para um mercado que poderia movimentar R$ 77 bilhões até 2034, com cerca de 72 GWh de capacidade instalada em baterias. Esse tipo de previsão já alavanca startups, fundos de infraestrutura e grandes companhias para apostar no segmento como um novo ativo estratégico, não apenas para garantir estabilidade energética, mas também para monetizar essa estabilidade em modelo de negócio.

Por isso o armazenamento por baterias no Brasil está deixando de ser um conceito técnico ou de nicho, para se tornar um empreendimento. Com regulação mais clara e incentivos corretos, essa aposta pode redefinir totalmente a economia da eletricidade nos próximos anos.

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