Mulheres ocupam 59% dos cargos de liderança em RH no Brasil, aponta estudo 

Mulheres ocupam 59% dos cargos de liderança em RH no Brasil, aponta estudo 

Um estudo inédito revela perfil, formação e trajetórias que marcam a presença feminina na alta liderança do setor

Por Bárbara Souza

Em um cenário de liderança em Recursos Humanos que tende historicamente ao feminino, um estudo produzido por Marcelo Nóbrega revela que atualmente 59% dos cargos de liderança em RH nas 500 maiores empresas do país estão ocupados por mulheres. O levantamento “O Perfil do CHRO Brasileiro” foi elaborado a partir de perfis no LinkedIn.

De acordo com os dados, essas líderes frequentemente têm formação em administração e psicologia, com especial destaque para mulheres: 34% delas vêm da psicologia, enquanto entre os homens o curso mais comum foi administração (45%). E ressalta-se: “aproximadamente 50% fizeram especialização para ampliar conhecimentos em negócios, finanças ou estratégia”, além de 87% terem cursado ao menos uma pós-graduação, enquanto 56% cursaram duas.

O perfil traçado por Marcelo Nóbrega, fundador do think tank Amppl.iA, destaca ainda que a maioria dessas profissionais são “nativas de RH” (70%). Ou seja, seguiram carreira inteira na área. Entre os 30% restantes, a transição costuma vir de setores como comercial (30%) e operações (13%).

No que diz respeito à trajetória profissional, o tempo médio até a liderança é de cerca de 17 anos, com uma carreira total de aproximadamente 27 anos. “Trabalhar sempre na mesma organização pode adiar em um ano a chegada de um profissional de liderança”, observa ainda o estudo.

Segundo os dados, 65% dos atuais CHROs foram contratados externamente, e nos últimos três anos, 75% dessas contratações vieram do público feminino.

Perspectiva e voz das lideranças

O autor do estudo, Marcelo Nóbrega, chama atenção para as transformações que impactaram o perfil dessas lideranças. No documento, ele ressalta que o RH moderno equilibra competências técnicas e comportamentais, demandando um olhar estratégico e adaptável.

Outro ponto curioso: a evolução da representatividade. A proporção feminino-masculino em cargos de liderança em RH permanece relativamente estável ao longo das décadas, mantendo-se em torno de 40% para homens e 60% para mulheres.

Além disso, o estudo incorpora insights de executivos. Como afirma César Augusto Bresciani, Diretor de Recursos Humanos da BP Bioenergy:

“É responsabilidade do CHRO entender profundamente o negócio, conhecer seus indicadores, desafios e estratégia. Esse perfil precisa conectar cultura e clima com resultados e pessoas…”.

E José Renato Domingues, ex-VP Executivo da Eletrobras, destaca que:

“A participação em job rotations ou projetos em outras áreas da empresa… é essencial para formação de CHROs. É fundamental acumular experiência prática onde a empresa ganha dinheiro e onde ela gera custos”.

O levantamento evidencia um RH com forte liderança feminina, além de especialista, experiente e com formação estratégica. O tempo médio até a liderança, o peso da formação acadêmica e a mobilidade no mercado de trabalho compõem um quadro claro: chegar ao C-Level de RH exige resiliência, especialização e visão estratégica.

Este perfil atual, definido por Marcelo Nóbrega, aponta para um futuro em que o protagonismo feminino na liderança de RH segue sendo sólido, e cada vez mais conectado à realidade do negócio.

Foto: Pexels

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