Mercado reduz previsão da inflação para 4,46%, abaixo do teto da meta

Mercado reduz previsão da inflação para 4,46%, abaixo do teto da meta

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Após a divulgação da inflação de outubro, a menor registrada para o mês em quase 30 anos, o mercado financeiro revisou para baixo a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. A estimativa passou de 4,55% para 4,46% em 2025. Com isso, a projeção entrou no intervalo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC).

O Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta de inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa um limite inferior de 1,5% e um teto de 4,5%.

A estimativa consta no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (17). O Banco Central publica a pesquisa semanalmente, em Brasília, com as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, o mercado manteve a projeção de inflação em 4,2%. Já para 2027 e 2028, as previsões apontam para 3,8% e 3,5%, respectivamente.

A redução na conta de luz puxou a inflação oficial para baixo e fez o IPCA fechar outubro em 0,09%. Esse é o menor índice registrado para o mês desde 1998, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, o índice havia marcado 0,48%, enquanto em outubro de 2024 a variação foi de 0,56%.

Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,68%. Trata-se da primeira vez em oito meses que o indicador fica abaixo da marca de 5%. No entanto, o valor ainda permanece acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no início deste mês.

No entanto, o colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”.

Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais.

Já no Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão alto por bastante tempo.

A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica encerre 2025 nesses 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 2,16%.

Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,78%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,88% e 2%, respectivamente.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

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