Mercado reduz previsão da inflação para 4,43% este ano
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, recuou de 4,45% para 4,43% em 2025. A estimativa consta no boletim Focus desta segunda-feira (1º), divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC). O relatório reúne as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
Além disso, a expectativa para a inflação em 2026 também apresentou leve ajuste. A projeção caiu de 4,18% para 4,17%. Já para os anos seguintes, o mercado manteve as estimativas. Para 2027, a previsão segue em 3,8%, enquanto para 2028 permanece em 3,5%.
Pela terceira semana consecutiva, o mercado reduziu a previsão de inflação. O ajuste ocorreu após a divulgação do resultado de outubro, que registrou a menor inflação para o mês em quase 30 anos. Com isso, a estimativa passou a se enquadrar no intervalo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC).
Definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o centro da meta é de 3%. Além disso, o sistema prevê um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite inferior é de 1,5%, enquanto o teto chega a 4,5%.
A redução na conta de luz puxou a inflação oficial para baixo e levou o IPCA a encerrar outubro em 0,09%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), esse foi o menor resultado para o mês desde 1998. Para efeito de comparação, em setembro o índice havia registrado 0,48%. Já em outubro de 2024, a variação foi de 0,56%.
Com esse desempenho, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,68%. Esse patamar marca a primeira vez, em oito meses, que o indicador fica abaixo de 5%. Ainda assim, o resultado permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e a desaceleração da economia levaram à manutenção da Selic pela terceira vez seguida, na última reunião, no mês passado.
No entanto, o colegiado não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros “caso julgue apropriado”.
Em nota, o BC informou que o ambiente externo se mantém incerto por causa da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Já no Brasil, a autarquia destacou que a inflação continua acima da meta, apesar da desaceleração da atividade econômica, o que indica que os juros continuarão altos por bastante tempo.
A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica encerre 2025 nesses 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 9,5% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
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