Mercado reduz previsão da inflação para 4,36% este ano

Mercado reduz previsão da inflação para 4,36% este ano

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu de 4,4% para 4,36% em 2025. A estimativa foi divulgada no boletim Focus desta segunda-feira (15), uma pesquisa semanal do Banco Central (BC) que reúne expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Além disso, para 2026, a projeção da inflação recuou de 4,16% para 4,1%. Para 2027 e 2028, as estimativas são de 3,8% e 3,5%, respectivamente, indicando uma tendência de desaceleração gradual da inflação nos próximos anos.

Pela quinta semana seguida, a previsão da inflação caiu, atingindo o intervalo da meta definida pelo Banco Central (BC). Essa meta, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

A alta no preço das passagens aéreas fez a inflação de novembro chegar a 0,18%. Em outubro, o IPCA havia sido de 0,09%.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses é 4,46%, dentro da meta do CMN.

Juros básicos

Para atingir a meta de inflação, o Banco Central usa como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A desaceleração da economia e o recuo da inflação levaram o BC a manter a Selic neste nível pela quarta vez consecutiva.

Além disso, o Copom não indicou quando começará a reduzir os juros. Em comunicado, o Banco Central destacou que o cenário econômico atual apresenta grande incerteza, exigindo cautela na política monetária. Por isso, a estratégia é manter a Selic nesse patamar por um período prolongado, garantindo estabilidade para o mercado financeiro e previsibilidade para a economia brasileira.

A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Depois de cair para 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a subir em setembro de 2024. Em junho, a Selic atingiu 15% ao ano e permaneceu nesse patamar desde então.

Além disso, analistas de mercado estimam que a taxa básica deve cair para 12,13% ao ano até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é de novas reduções, chegando a 10,5% ao ano e 9,5% ao ano, respectivamente, indicando uma tendência de desaceleração gradual da política monetária.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida. Essa medida impacta os preços, pois juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas elevadas também podem frear a expansão da economia. Além disso, os bancos consideram outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato. Isso estimula a produção e o consumo, ao mesmo tempo em que reduz o controle sobre a inflação e impulsiona a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim Focus, as instituições financeiras mantiveram a estimativa de crescimento do PIB do Brasil em 2,25% para 2025.

Além disso, para 2026, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos no país, ficou em 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro prevê expansão do PIB em 1,83% e 2%, respectivamente. Esses números indicam uma recuperação gradual da economia brasileira nos próximos anos, apesar de desafios como inflação e política monetária.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

Foto: Pexels

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