Mercado reduz previsão da inflação para 4,33% este ano
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, recuou de 4,36% para 4,33% em 2025. O dado consta no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central.
Divulgada semanalmente, a pesquisa do Banco Central reúne as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. Entre eles estão a inflação, a taxa de juros e o crescimento da economia, referências importantes para decisões de política monetária e para o mercado financeiro.
Para 2026, a projeção da inflação também recuou, passando de 4,1% para 4,06%. Já para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima variações de 3,8% e 3,5%, respectivamente.
Além disso, pela sexta semana consecutiva, os analistas reduziram a previsão de inflação para 2025. Com isso, a estimativa entrou no intervalo da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o objetivo é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite mínimo é de 1,5%, enquanto o teto chega a 4,5%.
Em novembro, o aumento no preço das passagens aéreas elevou a inflação para 0,18%. Em outubro, o IPCA havia registrado 0,09%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,46% e permaneceu dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Taxa Selic
Para cumprir a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Nesse contexto, a desaceleração da economia e o recuo da inflação levaram o Copom a manter a Selic pela quarta reunião consecutiva. A decisão foi tomada na última reunião do ano, realizada no início deste mês.
O colegiado não sinalizou quando pretende iniciar o corte da taxa Selic. Em comunicado, o Banco Central avaliou que o cenário econômico segue marcado por elevada incerteza. Por isso, reforçou a necessidade de cautela na política monetária e indicou que a estratégia é manter os juros no patamar atual por um período prolongado.
Atualmente, a taxa Selic está no nível mais alto desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Após recuar para 10,5% ao ano em maio do ano passado, os juros voltaram a subir em setembro de 2024. Desde então, o Copom elevou a Selic para 15% ao ano na reunião de junho e mantém esse nível até agora.
A projeção dos analistas de mercado indica que a taxa Selic deve cair para 12,25% ao ano até o fim de 2026. Em seguida, a expectativa é de novas reduções: para 10,5% ao ano em 2027 e para 9,75% ao ano em 2028.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo principal é conter a demanda aquecida. Nesse processo, os juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, o que ajuda a aliviar a pressão sobre os preços. Por outro lado, taxas elevadas tendem a dificultar o crescimento da economia. Além disso, ao definir os juros cobrados dos consumidores, os bancos também levam em conta fatores como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas.
Quando o Banco Central reduz a taxa Selic, o crédito tende a ficar mais barato. Com isso, empresas e consumidores ganham incentivo para produzir e consumir mais. Ao mesmo tempo, a política monetária diminui o controle sobre a inflação e estimula a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,25% para 2,26%.
Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,81% e 2%, respectivamente.
Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,43 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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