Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,95%

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,95%

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, passou de 5,05% para 4,95% este ano. É a décima segunda redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (18). A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação variou de 4,41% para 4,4%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para este ano ultrapassa o teto da meta de inflação que o Banco Central precisa alcançar. O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite inferior fica em 1,5% e o superior atinge 4,5%.

Em julho, a inflação oficial subiu 0,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impulsionada pelo aumento na conta de energia. Apesar disso, os alimentos registraram queda pelo segundo mês seguido, o que ajudou a conter o índice. No acumulado de 12 meses, o IPCA atinge 5,23%, superando o teto da meta de 4,5%.

Juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e o início da desaceleração da economia fizeram o colegiado interromper o ciclo de aumento de juros na última reunião, no mês passado, após sete altas seguidas na Selic.

Em comunicado, o Copom afirmou que a política comercial dos Estados Unidos ampliou as incertezas sobre os preços. Além disso, a autoridade monetária ressaltou que, por enquanto, pretende manter os juros básicos. No entanto, o comitê não descarta voltar a elevar a Selic se considerar necessário.

A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 nos 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom eleva a taxa básica de juros, busca conter a demanda aquecida. Esse movimento, por sua vez, impacta diretamente os preços, já que os juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Além disso, os bancos levam em conta outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, a margem de lucro e as despesas administrativas.

Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 2,21% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,87%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,87% e 2%, respectivamente.

Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,60 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,70.

Foto: Pexels

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