Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,85%
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, recuou de 4,86% para 4,85% neste ano. Com isso, o mercado registra a décima quarta redução consecutiva na estimativa, divulgada no Boletim Focus desta segunda-feira (1º). O Banco Central (BC) publica semanalmente a pesquisa, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Para 2026, o mercado também reduziu a projeção da inflação, de 4,33% para 4,31%. Já para 2027 e 2028, as estimativas apontam inflação de 3,94% e 3,8%, respectivamente.
Apesar do recuo nas projeções, a estimativa para este ano segue acima do teto da meta de inflação que o BC precisa perseguir. O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu a meta em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
Em julho, a inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chegou a 0,26%, pressionada principalmente pelo aumento da conta de energia. Ainda assim, os preços dos alimentos caíram pelo segundo mês consecutivo, o que ajudou a conter o índice. No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 5,23% e permaneceu acima do teto da meta, de 4,5%.
Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e o início da desaceleração da economia fizeram o colegiado interromper o ciclo de aumento de juros na última reunião, em julho, após sete altas seguidas na Selic.
Em comunicado, o Copom informou que a política comercial dos Estados Unidos aumentou as incertezas em relação aos preços. A autoridade monetária informou que, por enquanto, pretende manter os juros básicos, mas não descartou a possibilidade de voltar a elevar a Selic caso seja necessário.
A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 nos 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio
A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,18% para 2,19% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,87%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,89% e 2%, respectivamente.
Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 1,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,56 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,62.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
LEIA TAMBÉM: Mercado prevê crescimento econômico de 2,2% em 2025