Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,81%
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, recuou de 4,83% para 4,81% em 2025. A estimativa consta no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central (BC). A pesquisa reúne, semanalmente, as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.
Para 2026, a expectativa de inflação também apresentou leve queda, passando de 4,29% para 4,28%. Já para os anos seguintes, o mercado manteve as projeções em 3,9% para 2027 e 3,7% para 2028.
Apesar da revisão, a estimativa para 2025 segue acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O alvo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
Enquanto isso, os dados mais recentes mostram alívio nos preços. Em agosto, a inflação oficial registrou deflação de 0,11%, influenciada principalmente pela redução na conta de energia elétrica. Com esse resultado, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 5,13%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Juros básicos
Para cumprir a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). As incertezas do cenário econômico internacional e os indicadores que apontam moderação do crescimento doméstico pesaram na decisão de manter a taxa no patamar atual na última reunião, realizada neste mês.
Segundo a ata do Copom, o colegiado pretende manter os juros no nível atual por um “período bastante prolongado”. A estratégia busca assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida.
As projeções do mercado indicam que a Selic deve encerrar 2025 em 15% ao ano. Para 2026, a expectativa é de queda para 12,25% ao ano. Já em 2027 e 2028, os analistas projetam novas reduções, para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom eleva a taxa básica, o objetivo é esfriar a demanda. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, o que tende a reduzir o consumo e pressionar menos os preços. No entanto, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na definição das taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência, margens de lucro e custos administrativos.
Por outro lado, juros elevados também limitam a expansão da atividade econômica. Já em um cenário de queda da Selic, o crédito tende a ficar mais barato, o que estimula a produção e o consumo. Esse movimento, por sua vez, impulsiona a economia, embora reduza o controle sobre a inflação.
PIB e câmbio
Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano foi mantida em 2,16%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,9% e 2%, respectivamente.
Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.
A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,48 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,58.
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