Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,55% no Brasil

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,55% no Brasil

Andréia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, recuou levemente neste ano. A estimativa passou de 4,56% para 4,55%.

O dado consta no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central (BC), em Brasília. A pesquisa reúne, de forma semanal, as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação permaneceu estável em 4,2%. Já para 2027 e 2028, o mercado espera taxas de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Ainda assim, a estimativa para 2025 segue acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5%, enquanto o superior chega a 4,5%.

Após registrar queda em agosto, a inflação voltou a subir em setembro. No período, o IPCA avançou 0,48%, pressionado principalmente pelo aumento da conta de luz. No acumulado de 12 meses, o índice atinge 5,17%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Juros básicos

Para cumprir a meta de inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, o indicador está fixado em 15% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Segundo o BC, as incertezas no cenário econômico internacional, somadas a sinais de moderação no crescimento da atividade doméstica, justificaram a manutenção da taxa na última reunião, realizada em setembro.

De acordo com a ata divulgada após o encontro, a intenção do colegiado é manter a Selic no patamar atual “por período bastante prolongado”. O objetivo é assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida.

Nesta semana, nos dias 4 e 5, o Copom volta a se reunir para reavaliar o nível da taxa básica de juros.

A expectativa do mercado é que a Selic encerre 2025 ainda em 15% ao ano. Para o fim de 2026, os analistas projetam uma queda para 12,25% ao ano. Já para 2027 e 2028, as estimativas apontam novas reduções, para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom eleva a Selic, a principal finalidade é conter a demanda aquecida. Juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, o que tende a reduzir a pressão sobre os preços.

No entanto, além da taxa básica, os bancos consideram outros fatores na definição dos juros ao consumidor. Entre eles estão o risco de inadimplência, a margem de lucro e os custos administrativos.

Dessa forma, juros elevados também podem dificultar a expansão da economia. Em sentido oposto, quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, o que incentiva a produção e o consumo. Esse movimento, por sua vez, estimula a atividade econômica, mas reduz o grau de controle sobre a inflação.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 2,16%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,78%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,9% e 2%, respectivamente.

Puxada pelas expansões dos serviços e da indústria, no segundo trimestre deste ano a economia brasileira cresceu 0,4%.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,41 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50.

Foto: Agência Brasil

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