Ipsos: 75% dos brasileiros veem risco real de disseminação de desinformação; média global é 77%

Ipsos: 75% dos brasileiros veem risco real de disseminação de desinformação; média global é 77%

Por Pepita Ortega – Estadão Conteúdo

Quase 80% dos brasileiros apontam a disseminação de desinformação para influenciar pessoas e o risco de hackeamento para fins fraudulentos ou de espionagem como as principais ameaças da atualidade e para o próximo ano. Os dados fazem parte de um relatório da Ipsos, obtido com exclusividade pelo Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Além disso, essa percepção acompanha a média registrada entre entrevistados de 30 países analisados pela agência de pesquisa.

O mesmo levantamento também revela uma percepção global de aumento da insegurança no mundo. Diante desse cenário, oito em cada dez entrevistados consideram essencial que seus países mantenham uma força de defesa nacional sólida, mesmo em períodos de paz.

Para alcançar esses resultados, a Ipsos entrevistou 23.586 pessoas sobre temas ligados a questões internacionais, ameaças globais e segurança. A empresa aplicou questionários on-line entre 19 de setembro e 3 de outubro em diversos países, como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Japão, Índia, Argentina e Chile, entre outros. No Brasil, mil pessoas participaram da pesquisa.

Ao analisar de forma específica as ameaças percebidas atualmente, os brasileiros novamente seguiram a tendência global. Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados no país veem a disseminação de desinformação como um risco real. Além disso, 70% consideram o hackeamento uma ameaça concreta. A média global para esses dois temas ficou em 77%.

O estudo também analisou o nível de confiança na resposta do poder público. No caso da desinformação, 49% dos brasileiros afirmam confiar na atuação do governo. Além disso, a pesquisa avaliou a confiança em relação a outros desafios, como os desastres naturais. Nesse tema, 46% dos entrevistados acreditam na capacidade de resposta do Estado.

Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados consideram que o mundo se tornou mais perigoso. Entre os brasileiros, essa percepção aparece um pouco abaixo da média global, mas ainda em patamar elevado, alcançando 72%. Diante desse cenário, 83% dos participantes defendem que seus países mantenham uma força de defesa nacional sólida, mesmo em tempos de paz. No Brasil, 79% concordam com essa avaliação.

Além disso, 60% dos entrevistados entendem que os governos precisam ampliar os gastos com suas forças militares, diante dos riscos globais. Por outro lado, 64% avaliam que o poder econômico exerce papel mais relevante do que o poder militar no contexto internacional. Entre os brasileiros, essa percepção aparece em 59% das respostas.

A pesquisa também avaliou o risco de sistemas de defesa baseados em inteligência artificial se tornarem uma ameaça. Nesse caso, 62% dos entrevistados enxergam essa possibilidade. Entre os brasileiros, o percentual se mantém no mesmo patamar.

Outro recorte do levantamento analisou a percepção sobre democracia e a posição do Brasil no cenário global. Segundo a Ipsos, 59% dos entrevistados consideram o país um bom exemplo de democracia. O resultado representa um aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2024.

Por outro lado, a preocupação com o futuro democrático permanece elevada. Ao todo, 73% dos brasileiros afirmam que a democracia está em risco no país. Esse mesmo percentual aparece, por exemplo, entre os entrevistados dos Estados Unidos.

No contexto global, 75% dos brasileiros avaliam que o país deve atuar como um líder moral e servir de exemplo para outras nações. Além disso, segundo o estudo, 81% dos entrevistados acreditam que o Brasil precisa trabalhar em conjunto com outros países para alcançar metas globais, mesmo que nem sempre consiga exatamente o que deseja.

Por outro lado, ao seguir a média geral da pesquisa, 78% dos brasileiros consideram que, diante das atuais dificuldades econômicas, o país deve reduzir o foco em temas internacionais. Nesse cenário, a avaliação aponta para a necessidade de priorizar assuntos internos em relação à atuação no cenário mundial.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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