IMD: Brasil sobe quatro posições em ranking de competitividade digital

IMD: Brasil sobe quatro posições em ranking de competitividade digital
Por Eduardo Laguna – Estadão Conteúdo

O Brasil avançou quatro posições e passou a ocupar o 53º lugar no ranking de competitividade digital. O levantamento, que avalia a capacidade de adoção de novas tecnologias, é elaborado anualmente pela escola de negócios suíça IMD (Institute for Management Development). Na liderança aparece a própria Suíça, seguida por Estados Unidos e Cingapura.

Após permanecer estagnado nos rankings de 2023 e 2024, o Brasil apresentou avanços relevantes em 2025. O principal destaque foi a produção de publicações científicas, critério no qual o país alcançou sua melhor posição, o 9º lugar. Além disso, houve crescimento dos investimentos privados em inteligência artificial. Também se destacaram positivamente a maior adoção de robôs na educação e em pesquisa e desenvolvimento, assim como o aumento do uso de serviços públicos digitais pela população.

Com esses avanços, o Brasil superou países como África do Sul, Eslováquia, Bulgária e Turquia, que estavam à frente no ranking do ano anterior.

Apesar da evolução, o país ainda enfrenta desafios importantes. O Brasil segue entre as últimas posições quando o assunto é a integração entre universidades, empresas e setor público. Também registra desempenho fraco no financiamento da inovação, na atração de profissionais estrangeiros altamente qualificados e no intercâmbio internacional de conhecimento.

Na avaliação de pesquisadores da Fundação Dom Cabral (FDC), parceira do IMD no ranking, os resultados indicam uma recuperação gradual da competitividade digital do Brasil. Segundo eles, os avanços na produção científica e na adoção de novas tecnologias sustentam esse movimento. Ao mesmo tempo, o estudo reforça a necessidade de enfrentar desafios estruturais que ainda limitam o desempenho do país.

Nesse contexto, os pesquisadores defendem uma maior coordenação entre o poder público, a iniciativa privada e as instituições de ensino. Essa articulação, avaliam, pode criar um ambiente mais inovador e produtivo, capaz de acelerar a transformação digital.

Além disso, o estudo aponta como imprescindível uma revisão profunda das políticas educacionais e profissionais. A proposta é priorizar o treinamento técnico especializado, aliado a investimentos estratégicos em pesquisa e desenvolvimento.

Durante a apresentação do levantamento à imprensa, o diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, Hugo Tadeu, destacou que os investimentos em tecnologia sofrem impacto direto do cenário econômico. Segundo ele, o alto custo de financiamento representa um entrave relevante. “Juros acima de 15% são, sem dúvida, um desafio para empresas brasileiras e estrangeiras quando se trata de expandir e acessar novas tecnologias”, afirmou.

Ao abordar a escassez de mão de obra qualificada, o especialista destacou que a formação de mestres e doutores no Brasil se concentra, em sua maioria, nas áreas de ciências sociais. Segundo ele, o país precisa ampliar a formação em engenharia e ciências da computação. “O menor percentual está justamente nas áreas técnicas, ao contrário do que ocorre cada vez mais no restante do mundo”, observou.

Além disso, Hugo Tadeu ressaltou que parte dos engenheiros formados no Brasil não domina habilidades de programação exigidas pelo mercado. Esse descompasso, segundo ele, agrava o desafio de competitividade digital e limita a capacidade de adoção de novas tecnologias pelas empresas.

Os países que lideram o ranking mundial de competitividade digital, por sua vez, se destacam pela combinação entre estabilidade institucional e investimentos contínuos em ciência, tecnologia e políticas de incentivo à formação de talentos. O ranking considera dados estatísticos internacionais e entrevistas com executivos de diferentes setores.

No caso brasileiro, a Fundação Dom Cabral coletou respostas de mais de 100 executivos, abrangendo empresas de diferentes portes, regiões e segmentos. O objetivo foi garantir uma amostra representativa do cenário nacional.

Com a inclusão de países como Quênia, Omã e Namíbia, o levantamento passou a contemplar, nesta edição, 69 economias. A Venezuela ocupa a última posição do ranking. Apesar da melhora registrada neste ano, o Brasil ainda figura entre os 17 países menos competitivos na adoção de novas tecnologias. Na América do Sul, o Chile aparece como o melhor colocado, ocupando a 43ª posição.

Foto: Pexels

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