Igreja Holiness completa 100 anos no Brasil com raízes na imigração japonesa e foco em acolhimento e ação social

Igreja Holiness completa 100 anos no Brasil com raízes na imigração japonesa e foco em acolhimento e ação social

Por Bárbara Souza

No último dia 15 de julho, a Igreja Holiness completou 100 anos de atuação no Brasil. Fundada por missionários vindos do Japão, a igreja surgiu em São Paulo com a missão de oferecer apoio espiritual às famílias japonesas que começavam a chegar por meio dos fluxos migratórios na época. Desde então, a Holiness construiu uma trajetória marcada pela diversidade cultural, ações sociais e forte presença comunitária.

O início dessa história remonta ao ano de 1925, quando o pastor Takeo Monobe desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo. “No ano de 1908, iniciou-se o movimento de imigração de japoneses para o Brasil. […] Dessa forma, no dia 15 de julho de 1925, ele chegou ao Porto de Santos, declarando que essa era a terra da sua missão. Assim, 15 de julho de 1925 marca o início da missão Holiness no Brasil”, conta o Pastor Eduardo Goya, Presidente da Igreja Holiness no Brasil, em entrevista ao Diário do Acionista.

Apesar de ter nascido com foco nos japoneses e seus descendentes, a Holiness considera ser uma igreja que recebe pessoas de diferentes origens e perfis. “A Holiness não é diferente da maioria das igrejas evangélicas. Talvez nosso diferencial seja que entendemos ter uma responsabilidade com os japoneses e descendentes. Apesar desse entendimento, a Holiness não é uma igreja étnica exclusiva; pelo contrário, é uma igreja multicultural que recebe de braços abertos qualquer pessoa que venha participar de nossos cultos e atividades”, explica Goya.

O acolhimento é parte essencial da prática da comunidade. “Nossas igrejas são comunidades acolhedoras, com forte ênfase na família e nos relacionamentos interpessoais. Temos preocupação com as questões sociais e, por isso, desenvolvemos projetos sociais onde procuramos atender as populações necessitadas”, diz o Presidente.

Preservação da cultura nikkei

Com presença significativa de descendentes de japoneses, chamados de nikkeis, a cultura japonesa segue presente nas atividades da igreja. “A maneira de ser de nossas comunidades é, de alguma forma, permeada pela cultura japonesa. […] Também procuramos estar presentes nos grandes eventos da ‘cultura japonesa’, procurando oferecer serviços e voluntários”, afirma Goya.

Atuação social e comunitária

Além dos cultos e encontros religiosos, a Igreja Holiness mantém uma série de atividades voltadas para diferentes públicos, como crianças, adolescentes, idosos e casais. De acordo com o pastor, as ações incluem acampamentos, aulas bíblicas, esportes, projetos para a terceira idade e formação espiritual.

Reflexão e futuro após 100 anos no Brasil

Ao completar um século de atuação no Brasil, a Holiness se prepara para os próximos passos. Um plano estratégico está sendo desenvolvido para orientar as ações da igreja na próxima década, e será apresentado durante a principal celebração do centenário, marcada para 7 de setembro.

“Estamos no processo de discussão e refinamento de um plano que apresente áreas estratégicas que a Holiness precisa trabalhar pelos próximos 10 anos para ser uma comunidade relevante e que viva de forma clara e intencional os valores do Reino de Deus”, afirma Goya.

Ao olhar sobre esses 100 anos, o Presidente afirma que o maior impacto é a fé das pessoas a partir dos valores cultivados pela Holiness. Sobre orgulho, ele imediatamente cita o início de tudo.

“O pastor missionário que iniciou o trabalho no Brasil há 100 anos atrás viveu aqui por 5 anos e, por problemas de saúde, veio a falecer. Ele não viu quase nada do fruto do que plantou, e da mesma forma os nossos pioneiros. Recebemos um legado e isso nos orgulha. Um legado de 100 anos de história, de homens e mulheres que venceram toda sorte de barreiras e trouxeram o evangelho de Jesus Cristo até nós”, diz o Presidente.

Para Goya, o ano do centenário é também um momento de retomada da missão original da igreja. “A igreja deve ser uma comunidade em movimento, uma comunidade missionária. […] O ano do centenário é o ano para retomarmos o ardor missionário de nossos pioneiros e caminharmos para os desafios que temos pela frente”, conclui.

Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

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